Ontem foi a primeira vez que fui treinar a sério no novo ginásio. Ainda não tenho o código mágico que permite fazer as mariquices todas, mas aquilo funciona à mesma.
Na parte das máquinas, há uma data de regras mariquinhas: não se pode ficar mais que 12 minutos na mesma máquina, mesmo que a seguir se passe para a máquina ao lado, não se pode usar t-shirts de manga cava ou tops para as senhoras,; e ao sair da máquina é preciso limpar com papel e um spray que lá está. Bom, afinal afinal isto é um Fitness Studio e não um ginásio. Definitavamente os 'Holmes Place' não são para mim. Podem ter montes de miudas vestidas de licra mas têm um ambiente que me dá cabo do juizo.
Lá me dediquei ao meu treino, e como seria de esperar, um ginásio como este está muito limitado em matéria de pesos livres. Só tem halteres, e apenas até aos 20 kilos. De resto, tudo máquinas. Claro que para fazer exercicios mais exoticos, não dá. O staff é muito simpático e disponível, mas percebe tanto disto como eu de dançar Ballet em pontas. Disse que queria fazer supino declinado, porque tinha de treinar o peitoral inferior, e ele disse "inferior? Mas o peitoral é só um musculo... Vai fazer pec-deck que também faz bem!". Djizus! Meu querido AssaforaGym...
Depois dediquei-me a uma variante muito popular de cardio que há por aqui: remo. As máquinas são baseadas em ar, pelo que quanto mais se puxa, mais ventania aquilo faz. Numa sessão de sprint, ia partinho a máquina...e o contador digital chegou ao indicador das 2000Kcal/hora, e depois fez reset. Estes holandeses são uns fracalhotes! Deviam ter destas máquinas nas universidades inglesas, ver o que é que eles lhes diziam.
A caminho dos balneários -brutais como seria de esperar- reparei do posters de uma nova modalidade: Nike Rockstar Workout Bollywood. Onde é que isto vai parar. Na Quinta-feira colo-me à vitrine da sala de aérobica para ver que raio de treino sai daqui. Dança do ventre com fatos de lycra e Nike Shox? É que só pode...
E acho que me decidi a experimentar os BTS- Les Mills. Depois de vários anos a dizer mal daquilo, convictamente, vou passar ao próximo passo: experimentar para passar a poder dizer mal a 3 dimensões. Lá tirei os panfletos dos Bodycoisos: bodypump, bodyattack, bodybalance, bodycombat... A ver vamos, como diria o ceguinho!
terça-feira, 10 de outubro de 2006
Primeira noite no ginásio
Manhãs Alucinantes
As minhas vindas matinais para a Laranja Electrónica estão cada vez mais líricas. Ontem, juntamente com o tram (os tais eléctricos cá do sitio), vinha uma empilhadora em plena avenida, a todo o gás. Basicamente, desceu a avenida quase à mesma velocidade que o tram. Lá dentro, estava um gordo careca, de cabelo quase rapado, enorme, todo vestido de preto, e com a tshirt atrás a dizer ‘PSYCHOTIC’. Pudera!
Hoje na passadeira de peões em frente à Laranja Electrónica, passou por mim uma charrette, com 2 guardas da Rainha, a ser puxada por 2 cavalos pretos que mais pareciam Rotweilers de
Amanhã o que é que irá acontecer? Disco voador ou camião do circo?
segunda-feira, 9 de outubro de 2006
Apartamento novo
Hoje foi dia de tratar da logistica. Preparar as coisas para a última noite no Apartamento 5, tratar da Bicicleta, fazer compras.
Fase 1: ver da bicicleta. Tinha de instalar o meu cadeado, para poder devolver o original ao polaco. Assim foi. Aproveitei e fui dar uma voltinha à praia. Curiosamente, no calçadão da praia não se pode andar de bicicleta. Mesmo que não fosse, também não dava. Basta que haja uma nesgazinha de sol, e Haia inteira desembarca na praia, como os tugas na Caparica, num Domingo de Agosto. Lá me fiquei pela estrada que fica ao lado.
A Orange Beach Cruiser trava a pedalar para trás, portanto aproveitei para melhorar a tecnica. Mas o maior problema é o arranque. Como é de tracção directa, não se consegue puxar o pedal para cima, como estamos habituados. Portanto tive de arranjar maneira de aprender aquele clássico "salto em frente" que os holandeses dão quando começam a pedalar. Numa das ruas interiores, em obras, estava a tentar ver se tinha o pneu de trás com pouco ar. Ligeiro desequilibrio, e BONK! Em cheio nas grades das obras. Tudo a olhar, para o papalvo das acrobacias. Eu fiquei inteiro, mas a campainha não. Agora deixei de ter buzina! Snif! Apanhei as pecinhas todas, mas mesmo assim não funga deve ter havido qualquer coisa que partiu. Entretanto reparei que a minha super-bicicleta tem uma largura descomunal, pelo que não se adequada em nada a ruas comerciais.
Passando pelo AH (vulgo Albert Heijns, o LIDL cá do sitio) trouxe umas superbolachas de maçã em compota e passas. Brutais. Queria trazer também leite com chocolate magro. Fui ao sitio do leite, encontrei a versão achocolatada, e trouxe a versão 0% de gordura. Quando cheguei a casa, saiu-me qualquer que parecia pudim. De facto, tenho de começar a aprender holandês. Mesmo sem holandês, marchou que nem ginjas, que isto de pedalar abre o apetite. Sobretudo quando se tem de subir numa bicicleta sem mudanças!
A minha bicla-do-inferno faz um basqueiro descomunal... Chia e estala por todos os lados. Já fui informada que aquilo é mesmo assim. Também já pedi WD-40 a um colega meu, mas deve ser da estrutura metálica que tem um parafuso a menos. Sai ao dono, tá visto. Eu digo que faz mais barulho que as outras, porque toda a gente olha quando passo, MESMO quando não me estampo. Fui a uma bomba de gasolina, não atestar como teria feito se tivesse em Portugal, mas verificar a pressão dos pneus. Os da bicicleta, não os meus, claro. A máquina era digital, e eu não fazia a minima ideia de quantos bares é que aquilo levava. Olhando para a fabulosa qualidade da borracha dos meus pneumáticos, decidi ficar quieto. De raspão, olhei para o selim - que julgava partido- e percebi que uma das molas estava mais baixa que a outra. Comecei a rodar, enchi as mãos de ferrugem, mas fiquei com o selim nivelados. Aproveitei para aumentar a altura do selim mais um pouco, porque já não preciso de travões Timberland com tanta frequência, e assim também já não pareço o marreco a pedalar numa bicicleta com estilo. No entanto, tenho de tratar da cena do barulho. É um facto que sem campaínha até dá um certo jeito ser ouvido à distância, mas não é nada agradável quando se tem de pedalar meia-hora de seguida.
No regresso a casa, toca a empacotar a tralha, ir ver o apartamento, ver como funcionam as coisas. Deixar lá a maioria das coisas, porque de manhã o plano é tomar banho, deixar lá o restante (o apartamento novo fica a 234 metros do Apartamento 5) e seguir, na LaranjaRolante, para o trabalho. Yeehaa!
Primeiro fds em Den Haag
Começaram a chegar as visitas. Era fds comprido em Lx, e basicamente todos os portugas tinham cá amigos. Na Quinta-feira, o jantar foi num restaurante chinês perto do centro, chamado Shirasagi. Por fora tinha bom aspecto.... e por dentro também. Como seria de esperar o staff tinha os olhos em bico. O problema começou quando reparamos que os clientes também. Todos. Nós eramos os únicos ocidentais no meio de 100 pessoas. No centro da sala estavam mesas enormes, redondas, em que familias inteiras de chineses em 3 gerações deglutiam pratos enormes de comida. Eles podem ser baixinhos, mas fome não lhes falta. Depois de apanharmos uma mesa perto da janela, começamos a rezar para que o menu fosse pelo menos em caracteres perceptiveis. Holândes? Marcha... Porco Agridoce há de ser compreensível mesmo neste linguajar açoreano. Agora caracteres chineses, seria mais complicado. Calhou-nos uma ementa em holandês, mas com tradução em inglês. E pronto, estávamos a jogar em casa. Até tinham números. Mas os chineses de cá são mais refinados. Usam 4 dígitos para referenciar os pratos. Qual será o passo seguinte? Códigos de Barras directamente nos menus? Começou a dança da escolha; entre as curiosidades da praxe, estavam umas coisas que não costumamos ver pelas nossas bandas... Tripas de porco recheadas e fritas? E eu que julgava que isto só havia na Inbicta! Um porco inteiro??? Bom, será que também traz uma coleira a dizer 'Tareco'?
Com estas divagações, ficou-se pelo seguro. Galinha... 2 pratos diferentes de almondegas de galinha. Lá ficamos à espera...eternidades. Quando chegaram os pratos, julgavamos que havia algo de errado. Um dos pratos vinha servido numa tigela de Chau-min cru, com a tralha lá dentro. E o prato de almondegas....era um molho de bróculos. "Chicken meatballs" não passam afinal de um strogonoff de galinha mal-passada.
Sobremesa? Pudim de manga! Em formato de peixe! Oba-oba! Qd chegou, à primeira colherada ficamos com a sensação de que o pudim de manga em formato de peixe, era afinal pudim de truta. Manga chinesa deve ser muuuuuuito diferente da nossa.
Erro três. Pedir café. Voltando a falar português, baixei a guarda e foram encomendados "cafés". Erro crasso. Tudo o santo portuga tem de saber que quando se está em roaming, temos de trocar a palavra CAFÉ por EXPRESSO. Senão sai....chá de café em balde. E assim foi, balde de café à americana, com direito a pacotinho de natas como nos aviões.
Na Sexta-feira, o evento social foi a ida à Casa das Panquecas,junto à praia, em que o menu era de facto....panquecas. Neste jantar havia Portugueses e Italianos. Cada um pediu uma panqueca, na realidade um crêpe, e no fundo saiu uma pizza em massa fina e mole. Uma das portuguesas pediu um crêpe que me fez lembrar um bitoque, porque trazia um ovo a cavalo. Panquecas para a sobremesa? Não podia ser, porque os mestres cucas já tavam a arrumar a tralha... Portuga de facto aqui sofre com os horários. Lá nos ficamos nós pelos gelados. Houve granel com os pedidos portanto ainda conseguimos ficar com um gelado à pala.
De seguida lá fomos nós para o centro da cidade. Primeira paragem: Grote Markt. Embora tivesse a chover de 5 em 5 minutos, a mega-esplanada do centro da cidade tava montada. Pior: tinha gente. Enfiámo-nos para dentro do Cavaleiro Negro, um dos bares que por aqui há. E ainda conseguimos arranjar uma mesa no primeiro andar. No meio da palhaçada ainda tivemos a oportunidade de ver a Ana a fumar em estéreo, e de ver o que os holandeses chamam de vodka-redbull. Uma lata de RedBull, e um shot de vodka ao lado. Curioso... Depois de umas cervejas, fomos para uma disco ali pertinho, onde em 100 metros apanhámos uma molha descomunal. O coitado do Manel trouxe a bicicleta, mais valia ter trazido o JetSki. Lá dentro, um pavilhão com música a abrir, ambiente tipo industrial; o espaço parecia fixe, mas faltava ali qualquer coisa. Por lá a passear, os filmezinhos do costume. As torres, as velhas de 50 de mini saia, os seguranças-portão-de-quinta. Curiosamente, a Brigada-Boiola não marcou presença neste evento. Embora estive longe de estar ao rubro, havia 2 bailarinos negros que lhe davam forte e feio no breakbeat, e houve percussão ao vivo. Pena de facto não estar mais gente, ou o ambiente não ter aquecido mais.
No regresso a casa, lá fomos pela avenida-sem-carros, onde em 100 metros de largura de passeio deserto, quase iamos sendo atropelados por uma brigada de bicicletas apressadas.
sexta-feira, 6 de outubro de 2006
Número Holandês
Hoje na sessão de compras de 5ª feira à noite comprei uns calções de desporto em saldos, para poder ir ao ginásio, e um cartão holandês para o telefone!
Aqui fica o número: +31 614575649
Agora já me podem ligar sem que eu pague um balúrdio em roaming!
quinta-feira, 5 de outubro de 2006
Agora estou a pedalar noutra dimensão
Como estava previsto para hoje, fui ter com o anão polaco, o dono da bicicleta. Lá fizemos o negócio e ele foi simpático, e emprestou-me o cadeado dele até eu poder comprar o meu durante o fim-de-semana.
Colocando a minha querida dentição em risco, andei 100 metros na bicla nova. Por 40 euros, também não se pode pedir muito; aquilo falta-lhe uns parafusos, tem um pedal pela metade, e o selim tem uma mola partida. Só gostava era de saber como é que o polaco de meia tigela e os seus 40 kilos conseguiram partir aquela mola. Afinal pedalar para trás não é muito dificil, e basta um toque na direcção contrária para a bicicleta abrandar fortemente. Aliás, ainda não tinha pedalado 10 metros, já estava mais preocupado em não bater com os joelhos no guiador do que em saber como travar, porque o selim está à altura de uma criança de 12 anos.O meio-polaco foi porreiro, e trouxe-me a bolsinha original que vinha com a bicla, e com todas as ferramentas que são necessárias. Portanto, um dos passatempo deste fim-de-semana vai ser afinar aquilo tudo. Ao menos, fazer com que os joelhos não fiquem todos pretos no primeiro kilometro.
O negócio decorreu à hora de almoço, e quando me ia preparar para ir para casa na bicla nova reparo que tava a chover a potes. Devia era ter comprado uma piroga em vez de uma bicicleta, tou a ver. E ainda não desisti da ideia de vir para o emprego de Jet-Ski. Mas pronto, de volta à terra. Molhada. Lá ficou a coitada da Orange Beach Cruiser a noite ao relento, e fui à minha vidinha de eléctrico.
terça-feira, 3 de outubro de 2006
Ginásio e Bicicletas
Estava eu a montar a minha area de trabalho na Laranja Electrónica, quando dei de caras com uns foruns na intranet. Com o meu poderoso holandês, encontrei a parte dos anúncios, e dei de caras com uma bicicleta da própria Orange, a Orange Beach Cruiser, à venda pelo espantástico preço de 45€ por um caramelo com um nome árabe. Mandei-lhe um mail, a dizer que gostava de ver a bike. Marcámos uma hora, no hall de entrada, e lá fui eu. De notar que a Orange Beach Cruiser é uma bicicleta do estilo clássico, sem travões, ou melhor, com travões-de-pedalar-para-trás, ao estilo nórdico. A bicicleta ta de facto um bocado batida, levou 3 anos de prá-frente-e-pra-trás nesta cidade. Afinal, o árabe era polaco,e tinha metro e meio. Pior ainda, já tinha tado em Portugal, na Caparica, num intercambio cultural do programa Tempus. Disse-lhe que ia pensar... Mas 45€? Por uma coisa que garantidamente anda, tem estilo, e não vai ser roubada nos próximos 5 minutos? Acho que vou arriscar. Não os 45 aérios, obviamente, mas sim a dentição, que nunca andei numa bicicleta sem travões de gente... Amanhã falo com o polaco de nome árabe.
Depois do trabalho fui com 2 dos tugas, o Pedro-cromo-do-billing, e o Miguel, a um ginásio, o SportCity. Por 40 euros, temos direito a um Holmes Place, com squash, solario e sauna incluidos. A sala de máquinas é brutal, tem DEZENAS de postos, as máquinas recebem um código, e ajustam-se automaticamente em carga, posição e repetições. Tecncologia da Guerra da Estrelas (chama-se FitLinx). Ouvi dizer que no final do treino ainda manda para casa um mail com o treino efectuado, e a evolução da forma fisica. Muuuuuito à frente. E claro, ainda há as aero-tretas, tipo body-combat, body-attack, step, e uma modalidade nova, chamada Nike-qq-coisa, que segundo nos foi dito, é uma mistura de streetdance com danças dos filmes de Bollywood. Ah, e também há umas aulas de Thai-bo lá perdidas pelo meio. Se calhar vou experimentar, só naquela de aprender os números...
Como não há bela sem senão, este ginásio tem o seu toquezinho holandês... Mangas cavas ou cortadas? Nope... Tem de ser t-shirt normal. Os ténis não podem ter sola preta, por causa dos courts de squash, e as empregadas da recepção à noite são todas marroquinas. Como é que eu sei? Porque o Pedro-cromo-do-billing começou a falar com elas em árabe, que ele aprendeu quando viveu dois anos em Rabat.
Aparte isso, por 40 euros pareceu-me um bom negocio, embora seja do outro lado da cidade. Por enquanto, isso não chateia, porque há um eléctrico directo de lá para o famoso Apartamento 5.
Amanhã começo treino: tratar da Alma, que o Corpo já não tem cura.
Regresso à base
Hoje foi dia de regressar à Socalândia. Avião das 6, atrasado, o que não era de estranhar. Tralha às costas para não levar bagagem de porão, porque Schiphol é grande como tudo, e as malas demoram eternidades a chegar. E já me chega de aeroportos por uns tempos. Desembarquei por voltas das 22h30. Quando dou por mim, estou rodeado de palitos loiros, muito loiros entre 1,80m e 1,90m. Algures num avião que chegou à mesma hora que o meu, estava a chegar a selecção nacional feminina de volley. Provavelmente juniores, porque tinham todas prai 20 anos. Será que encolhem quando ficam mais velhas, e portanto a equipa nacional tem de ficar pelas mais novas? Fica o mistério... E lá atravessei eu os terminais qual anão-trabalhador-de-minas-de-carvão, porque tinha prai 8 kilos às costas. A maior delas todas devia ter prai 1,95m. É mesmo uma loira muito grande. Ok, tambem devia ter praí 50 kilos, de tão tábua de engomar que era. Só se via os ténis, e o carrapito, que deveria fazer parte do uniforme, porque todas faziam questão de o usar juntamente com o fato de treino verde azeitona, que parecia comprado na feira de Carcavelos num dia de saldos. Como é que eu sabia que era a equipa nacional de Volleyball? Porque tinham os fatos de treinos a dizer VOLLEYBALL NEDERLAND. Digam lá que o portuga não é esperto, ahn?
Porque é que isto se chama Países Baixo, se aqui o pessoal é todo esticado à nascença??? Qualquer dia ainda vou tratar de encontrar uma equipa de rugby local... só naquela de saber se eles também conseguem ser largos, para além de esticados.
segunda-feira, 2 de outubro de 2006
FDS mirabolante
Cheguei a Schiphol, por volta das 4h da manhã... para um vôo das 7h. Como estava com a tal mochila às costas que depois de um dia de trabalho e uma noite em Amsterdão parece um menir do Obélix às costas de quem não tomou poção mágica. Toca de fazer check-in e ir bater uma soneca. O vôo era da Lufthansa, e a zona do check-in era partilhada pela SAS e pela British Midlands. As 4h40 da manhã já estava uma fila grande. Nada de especial....se ao menos andasse. Para chegar ao balcão, demorei 2 horas. Quando chego, a menina diz-me que não estou no sistema. Então eu todo sorridente, saco do print out que me tinham mandado da empresa, com código de reserva e tudo. "Pois, mas este bilhete ainda não foi emitido, tem de ir ao balcão dos bilhetes da Lufthansa para eles o emitirem." Porra, 2 horas de pé, e depois isto?? E lá fui eu a rogar pragas para o balcão da Lufthansa, onde uma jarreta de 100 anos já com raizes das toneladas de base que tinha na cara me disse que "tinha reserva, mas não tinha bilhete porque não tinha pago ainda". E eu saco de novo do print-out, que lá tinha o preço chapado e tudo. "Pois, mas o pagamento não foi feito.". E a unica maneira de embarcar é pagar o bilhete. Depois de rogar pragas a toda a empresa, em particular à minha chefe portuguesa que tinha resolvida tratar pessoalmente da questão, saco do meu cartão. Não passa. Não passa??? Pois... Ah tábem...não há crise, que eu tenho mais uns dez. Pois, mas todos Visa Electron. Como são cartões de débito, não passam nas companhinas aéreas, por alguma razão desconhecida. E a senhora da Lufthansa "não há dinheirinho, não há bilhetinho". E eu já a deitar fumo pela orelhas, a 20 minutos do meu vôo. Para cumulo, teve um ataque de paternalismo e disse-me "^Nunca viu um cartão de crédito? Eu mostro-lhe um dos meus!" Aí que eu comecei a ver tudo vermelho, e só tive de não ter um cartão do RaboBank (um dos maiores bancos da Holanda, para quem não sabe) ...para lhe dar o uso devido, claro.
Ainda fui ao piso de baixo, tenta sacar a massa das caixas Multibanco, mas nenhuma delas deixa sacar tanta massa de uma só vez. E lá se foi o meu vôo. Apeado em Schiphol, podre de cansaço, fui ver dos próximos vôos para Lisboa. Só ao meio-dia e meia. KLM estava esgotada, só sobrava a TAP. 550 euros o bilhete de ida-e-volta. Incha. Lá voltei eu ao piso das caixas multibanco, andar a colecionar notas de caixa em caixa, até chegar ao dito valor. E depois lá voltei eu ao balcão da TAP com um molho de notas, tipo Lello da Purificação, comprar o meu bilhetinho. Como a senhora foi simpática, e eu não tinha bagagem de porão, deu-me directamente o cartão de embarque. Passei rapidamente pelo restaurante -sim, porque afinal só tinha de esperar mais 5 horas- para comer uma tarte de maçã com cajus e um capuccino, enquanto o sol nascia, e arranquei para o terminal 2. Encontrei a minha porta de embarquei, descobri qual era o spot em que conseguia dormir: havia uma mesinha entre 2 cadeiras, que dava espaço para uma pessoa cair para o lado sem fazer contorcionismos por debaixo dos braços das cadeiras. Com a mochila a fazer de almofada, o telemóvel com o despertador ligado para a hora de embarque, comecei a dar violentamente ao serrote. Não sei se alguém reparou, ou se a segurança foi chamada, mas foi uma grande soneca. Hora do embarque, tudo a horas. Dentro do avião, voltei a calçar as sapatilhas para dormir depressa. E aqui fui para Lisboa. Na portela, foi directo para casa, onde a minha fiel caminha de todas as horas me esperava, para o ultimo acto desta soneca tripartida.
Ao fim da tarde, lá me levantei, tomei banho e fui para a despedida de solteiro da minha amiga Sofia. Sui Generis, como a própria. Pela primeira vez, fui a uma despedida de solteiro em que ambos os noivos estavam presentes, e não houve brasileiras a saltar do bolo nem a dançar em cima do noivo podre de bêbado. Uma casa alugada na Aroeira, onde se enfiou tudo o que era amigos, com jantar de grelhados. No dia a seguir, o almoço da ressaca foi massa de frango, salteada com alho. Ao fim de Domingo, lá voltamos nós à nossa vidinha, com mais umas histórias para contar ao netos.
domingo, 1 de outubro de 2006
Primeira ida a Amsterdão
A primeira ida a Amsterdão foi combinada à saida da Laranja Electrónica. 23h na estação central de Amsterdão. Eu tinha de ir pra casa tratar das papeladas do fds e do contrato em Portugal, e seguia no avião das 7 da manhã para Portugal.
A ideia original era deixar a mochila com o portátil e alguma outra tralha no aeroporto e seguir para Amsterdão sem nada às costas. Pois, as coisas atrasaram, e eu não tive tempo de parar no aeroporto, tive de ir directo para Amsterdão.
Na gare, fui ao balcão dos bilhetes e pedi um bilhete para o aeroporto, via Amsterdão. Para quem não conhece a configuração aqui do spot, isto equivale a chegar a Santa Apolónia e pedir um bilhete para Coimbra via Porto. O gajo nem pestanejou. "12 euros!" incha, portuga-habituado-a-precos-da-CP.
Enquanto eu esperava a minha vez, estava em 2 grupos de blacks-armados-em-Puff-Daddy, e o grupo de trás tava a mandar que o da frente estava a demorar muito tempo. O funcionário atrás mando-os calar com maus modos, e ia rebentando a terceira guerra mundial. Curiosamente, tudo aos berros, mas ninguem se mexeu. Eu até achava que tava ali mal, e já me estava a preparar para a bela cena de wrestling, com o revisor a saltar pela janela de vitral, e a policia de choque a entrar em cena para um ballet de bastão em 3 actos. Mas não, não passou dali. Atrás do grupo de blacks, estavam senhoras de meia-idade, miudas de 20 anos loirinhas, e mais uns quantos civis. Ninguém pestanejou, portanto, aquilo devia ser normal. Este gajos são mesmo muito estranhos.
E pronto, cá fui eu com o portátil às costas para o Circo. Chegamos todos ao mesmo tempo, e para além dos portugueses, tava o Roman, o meu boss francês. Pelo que percebi, ele de vez em quando sai com a malta. Ainda por cima foi ele que tomou a dianteira. Primeira paragem: um bar calmo, com DJ ao vivo, de decoração tipo Gustav Klimt. A caminho, uma das portugas fez-me o briefing: à esquerda tá o Red Light District, à direita tá a zona comercial, etc... Em 400 metros de trajecto comecou a chover aos baldes por 2 vezes, e a trovejar, mesmo quando não estava a chover. No bar propriamente dito misturavam-se miudas arranjadinhas com tipos de rastas, velhadas tipo múmia, e uma coisa, carinhosamente por nós apelidada de "o Bicho", que parecia (sim, parecia, porque em Amsterdão nunca se tem certezas...) uma gaja de meia-idade, de traços meio-africanos, com oculos grossos, cabelo comprido platinado e frisado, vestida com trajes de BTT. Ah, e com headphones. No entanto, quando gostava da música que o DJ passava, punha-se a dançar aos saltos como se aquilo fosse uma discoteca. Quando não gostava, sentava-se e punha os phones como se entrasse em zen.
Charros? Aqui, chamam-se cigarros. No bar, não vi comprar nenhum, não percebi se havia, mas toda a gente sacava de umas caixinhas cónicas com os ditos lá dentro. Os meus tempos de entendedor de cannabis já lá vão bem longe, e só pelo cheiro não percebi se aquilo que circulava à minha volta era forte ou fraco.
Passadas umas jolas, decidiu-se mudar de spot. Ir a uma discoteca chamada Panamá. Apanhámos 2 táxis, e quase que atravessámos a cidade. Ao pé do rio estava um edifício meio betão, meio tenda de casamento, com cores cinzentas e vermelhas. Pusemo-nos na fila para entrar, batemos 15 euros para entrar (só bilhete), fomos revistados dos pés à cabeça. E aqui começou o granel. Eu costumo por os meus comprimidos diários dentro de ovos kinder. E sempre andei pelo mundo inteiro com aquilo no bolso. Claro que no Panamá, a segurança indonésia que me revistou, olhou para aquilo, e chamou um colega, black, de altura normal, mas de largura de portão de quinta. Começaram a falar entre eles, e eu só percebo "....police box...". O black desaparece com os ovos kinder, e eu ali especado a olhar pra indonésia. Ela continua como se nada fosse. Eu pergunto "E atão? Os meus ovos kinder? Demora muito???" Ela ficou a olhar para mim com cara de parva, e eu chamei o black-extra-large.
"Os ovos kinder?" perguntei eu.
-"Ah, foram para a Police Box." disse o black.
-"Todas as drogas vão para uma caixa selada pela policia."
-"Mas aquilo são os meus comprimidos normais! Como é que eu faço para ter os meus ovos de volta?"
-"Ah... Não fazes. Aquilo só a Policia é que pode abrir."
Ia começar eu a fazer o belo do luso-escarcéu, quando ele me disse: "Não vais precisar deles agora, pois não? Entao quando saíres, falas comigo ou com aquele tipo de cabelo cinzento, o chefe da segurança." Olhei para a zona da porta, e lá vi o tal chefe. O que o black de largo, tinha este de alto. Este era -apenas- portão de prédio, mas tinha 1,95m. E aspecto de quem tinha feito 3 campanhas na guerra do golfo. Claramente, tinha aspecto de militar.
Bom, dito isto, lá fui eu curtir. Largar a mochila no bengaleiro, e mais metade da roupa, que lá dentro estava um calor infernal. A pista principal fazia lembrar o antigo Indochina em espaço, e o som era música de dança com muito pedal. Boa onda. Estava a haver um evento qualquer com o DJ e alguma relacionada com moda, mas não deu para perceber ao certo o que era. Ao longo da noite foram passando por nós todo o tipo de gente. Altos, baixos, gordos, velhos, top models, ... Um autêntico circo. No entanto, as miúdas deste circo são de facto muito giras. As bebidas não são caras, com a Coca-cola servida a balde a 500 paus, e a cerveja mais ou menos a mesma coisa. Atrás de nós estava um grupo de quarentonas, vestidas como se tivessem 20. Mas nada de passar vergonhas. Aliás, acho que há umas quantas vintonas da FCT que nunca tiveram tão em forma como aquelas anciãs. Um monte de pessoal que claramente estava em Amsterdão de passagem, e mais um monte de estrangeiros que de facto já lá tinha estado antes.
Mudámos para a outra pista, dedicada ao hiphop e ao Reggaeton. De repente, parecia que tinha desembarcado no Harlem. Tudo pessoal seguidor do Puff Daddy, e do Wu Tang Klan. Embora noutro estilo, este DJ também dava cartas. Vejo um tipo passar com o capuz da sweat shirt posto. O tal black-extra-large aparece de nenhures, e diz-lhe "é a segunda vez. Não vai haver próxima." E o tipo lá tirou o capuz e continuou a sua ronda pela pista, agora destapado. Já deu para ver que aqui a segurança não brinca em serviço. Tolerância aqui não falta, e complicado é dar nas vistas, mas não é preciso muito para começar a haver molho.
Mais um bocado e dois dos nossos elementos começaram a acusar o cansaço. Ok, o pessoal foi saindo, buscar as tralhas ao bengaleiro, e eu fui falar com o tal chefe da segurança. "ah e tal, porque não temos maneira de saber se são de facto comprimidos normais ou drogas..." Eu até compreendo, mas ao menos perguntem! Então lá começa o luso-escarcéu, e o chefe da segurança sempre a retorquir que não pode fazer nada, porque só a policia mexe ali. Quando eu lhe disse para então chamar a policia que eu não arrancava dali sem os meus ovos kinder, é que ele percebeu que eu não tava a dar a treta e então mudou de côr. Desapareceu 1 minuto, voltou com 2 fitas de imobilizar pessoas (vulgo aperta-cabos) e um rolo de fita macgyver. encaixou as duas fitas, meteu uma bola de fita cola na ponta e pôs-se a enfiar aquilo na Police-box, que tem aspecto de uma caixa de correio blindada. Por milagre, um dos ovos kinder saiu à primeira. O segundo não... Então começa a sair saquinhos de pó, saquinhos de comprimidos de ecstasy, coisas que nunca tinha visto na vista mas que de certeza não eram nada de parecido com os meus comprimidos das alergias e da tiróide. Só aí é que eu percebi o nível de cenas que ali iam parar. Claro que os charros entram como se fossem tabaco, mas pózinhos brancos não podem entrar. Entretanto apareceu um chinês a mandar vir em holandês, e os tugas que estavam lá fora sem perceber a cena já estavam a bufar. Então decidi pôr-me a andar. Afinal, comprimidos destes é o que não faltam cá por casa, e ninguém morre (pelo menos eu) com um fim de semana com febre dos fenos.
Apanhamos o táxi de novo para a Central Station, e perdemos o comboio por 2 minutos. Era por isso que os tugas tavam a bufar. Àquela hora, só há comboio para Haia a cada hora, portanto iamos gramar 58 minutos no cais da estação, a cair de podres. Claro que -por dentro- eles deviam tar a rogar-me pragas, mas lá abancámos todos num banco corrido, à espera que o tempo passasse. À noite, para evitar confusões, o controlo do s bilhetes faz-se antes do cais de embarque para evitar que pessoal sem bilhete vá armar confusão lá para baixo. Aí é que o revisor achou estranho o meu bilhete: "entao este gajo tá no porto, e quer usar um bilhete que diz Lisboa-Coimbra?"; já se esperava o granel. Chamou o chefe, que viu que aquilo era estranho, mas era mesmo assim, e mandou-me seguir. Claro que os tugas que nunca se meterem nestas alhadas, já começavam a coçar a cabeça sobre como é que eu me conseguia meter em tanto confusão, sobretudo sem beber. Nem fumar!
Passado uma hora de seca, lá fomos no quim-bóio. Eu fique em Schiphol,o aeroporto, enquanto os tugas seguiram para Haia; e aqui começava o resto do meu fds...