segunda-feira, 23 de outubro de 2006

Um mês de Holanda

Faz hoje um mês, metia a minha trouxa às costas, e punha-me a caminho dos Paises-Baixos, e da LaranjaElectrónica, deixando para trás Sol e Praia.
Curioso, hoje que penso nisso, ainda não percebi se acabei de chegar, se já cá estou há imenso tempo!

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

Mozzarella Party!



Ontem foi dia de festa! Uma das italianas de serviço resolveu rebelar-se contra a falta de qualidade do queijo mozzarella aqui na Holanda, e decidiu trazê-lo da origem. E convidou a malta. Ao mais puro estilo Erasmus, juntou-se tudo numa casa cagagésimal, com a música a bombar por um portátil ranhoso, e com montes de alcool à mistura. Curiosamente, só responderam à chamada italianos e portugueses. Embora outras raças estivessem também convidados.
Bom, para ser sincero, um francês meio perdido apareceu mais para o final da festa, envergando uns calções de desporto, às 11 da noite. Que estranho... da última vez que ia regularmente a estas concentrações, eu era o único portuga, e havia um monte de italianos, espanhóis e franceses. Ou seja, era eu o Alien. Ao menos, eu não ia para as festas de calções.
O pessoal abancado ao monte nos sofás e no chão, a fumar e a beber, uns a tentar dançar, outros a alarvar o mozzarella que dava para um batalhão. A música foi salsa e brasileira a noite toda, pq a anfitriã vibra com este estilo, e serve sempre para animar a festa. Quando cheguei, na Orange Beach Cruiser acabada de equipar com o suporte do GPS vindo de Portugal, trazia numa mão uma garrafinha de Casa de Santar 2003, e na outra um queijo Castelões, para mostrar a este pessoal o que é o power do queijo português; para quem não sabe o Castelões tem a caracteristica curiosa de ser um queijo de mistura, metade vaca, metade cabra, o que o torna bastante especial. Sem ser amanteigado é muito aveludado, e sobretudo, dá-se bem com os tintos. Um valor seguro da industria queijal portuguesa!


Quando me aproximei da mesa, levei da anfitriã uma ensaboadela de queijos italianos: afinal, em matéria de mozzarellas, há muito para dizer. Mais compactos, mais moles, mozzarella seco, recheado com manteiga (eu sei que parece estranho mas era omelhor que lá tava), em bola, em fatias. De lado, tavam uns pratinhos com tomate cortado fininho, e um chourico também fatiado. Na minha mozza-ignorância, virei-me pra Maria e perguntei: "Isto é de buffalo, né?



-MÀ NÓ!!!" levei logo na resposta. Parece que o chavão que o verdadeiro mozzarella é de bufala é tudo treta. Vaquinha é que é. O resto é para inglês ver. Bom, mas como diria o outro...."Marco Bellini é qè sabè!" E afinal, eu só tinha vindo ver a bola e nem era de cá!
Da próxima vez que vir um queijo mozzarella a rebolar rua fora, dou-lhe um beliscão; se ele não fizer "Muuuuuuuuuuuuuuuu", já sei, é uma reles imitação!

Mas ou o pessoal tá a ficar velho, ou então o mozzarella tira um bocado a energia às pessoas... À meia-noite já estava o pessoal todo a desertar, excepto o francês esfomeado que continuava a dar forte e feio no queijo e no tinto.

terça-feira, 17 de outubro de 2006

Squish-squash

Ontem houve jogo de squash. Eu, o Miguel e o Pedro tinhamos marcado a nossa aula grátis no ginásio, que ganhamos na inscrição. Assim que chegámos, levámos a banhada porque tinha falecido alguém próximo da professora. Isto corta logo a onda toda; nem dá para dizer mal, nem rogar pragas à pessoa que nos fez atravessar a cidade para ficar especados a olhar para a recepcionista. Como bons tugas, agarrámos nas raquetes, e fomos na mesma para o court, que afinal, estava reservado. O Pedro joga squash pa caneco, e portanto eu o e Miguel fomos squashados. Não sabia que a bola tinha de aquecer, e que sé depois de umas valentes raquetadas é que começa a ganhar as caracteristicas necessárias. Mesmo depois de aquecida, a bola não salta. Lá estamos nós todos cheios de energia, vemos a bola a vir na nossa direcção, puxamos a culatra atrás e tentamos encher o pé –neste caso, a mão-… e vemos a bola a desfalecer no chão como se fosse um bocado de plasticina. Frustração. Quando finalmente apanhamos a bola a jeito, e despejamos toda a raiva no esferico preto, o desafio é não esbarrar com os dentes na parede. Sim, porque vamos a correr na direcção da bola, e ninguém nos avisa que temos uma barreira de betão a 30 centimetros da cara quando acertamos na bola, e tamos a correr a todo o gás. Um gajo pensa: “Yeessssss! Ganda passa que dei na bola! O outro gajo nem a vai ver passar!” e depois, a próxima coisa que se lembra é de abrir os olhos e ver as luzes do tecto à nossa frente, com o resto dos colegas a dar sapas nas bochechas, porque entretanto tivemos um encontro imediato do terceiro grau com a parede. Evento seguinte: contar o número de dentes à saida do court para saber se é igual ao que entrou. Depois ainda chamam a isto um jogo, dizem que o desporto dá saúde, etc…Pior: ainda por cima PAGAMOS para cá andar.
Como o Pedro é insistente, e isto supostamente faz bem a alguma coisa (porque como se viu pela figura anexa, à saúde não é concerteza), já está outra sessão combinada para Quinta-feira. Para além dos 3 estarolas, ainda vem um holandês - não-rastejante – jogar com a malta: assim estão sempre 2 jogos a decorrer em simultâneo. Espancamento continuo, está de ver, porque o holandês que vem aí também é jogador habitual, pelo que muito provavelmente eu o Miguel vamos fazer de bombos da festa. Mas eu tenciono vender cara a minha pele! Não quero perder nenhum jogo por mais de 10 pontos de diferença!

Estou chocado...

Drama, tragédia, horror!.... Hoje cheguei à LaranjaElectrónica e -aparte o Porsche Cayenne, o BMW M3 e o Continental GT- não aconteceu nada de especial! Estou em depressão!!

Para além disso, aqui faz um sol radioso, e em Lisboa chove a potes. No entanto, algo me diz que não tarda, a situação muda...

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

Começo de semana em grande

Primeiro regresso operacional à Holanda: apanhar o vôo das 7h45 da TAP. Aterrar em Amsterdão Às 11h, e ir directo para a LaranjaElectrónica. Yeah, right. Para além de ter de me levantar super-cedo, e acartar com um malão do tipo caixão, tava a chover a potes. Check-in, aventura 1: embora tenha chegado a horas, a fila do check-in era de meio-kilometro. Fui repescado por um caramelo de walkie-talkie na mão, e despachado para uma menina que teve de ligar para o supervisor para reabrir o vôo e conseguir registar a minha mala. Depois, na porta de embarque descobri que o vôo ia atrasar. Grande sorte a minha, em vez de embarcarmos por manga, fomos de autocarro. Mais valia ter ido de piroga, que ia dar o mesmo resultado. Até o autocarro era uma miniatura, e iamos todos lá dentro apinhados. Já dentro do avião, percebi que aquilo ia ser uma sessão intensiva de dar ao serrote. Como não me é dificil adormecer, ainda não tinhamos descolado, e já estava em plena actividade roncante. Mas concerteza que era eu e mais metade do avião, porque quando as meninas começaram a distribuir a paparoca, tava tudo a bocejar e a espreguiçar-se. Agora a TAP varre o pessoal todo a sandes, portanto aquilo evapora em 30 segundos. De seguida, nova sessão de serrote. Aterrámos em Schiphol ao meio-dia, uma hora depois do esperado. Lá fui eu para a recepção das malas. Check-out, aventura 2. Tava eu a aproximar-me do tapete rolante que me tinha calado na rifa e estava a ver uma mala toda desfeita. Quando me aproximei, claro, tinha de ser a minha. A mala tinha rebentado pelo fecho-éclair. Por sorte, tava ensopada, mas não parecia que tivesse saltado nada cá para fora. Lá vou eu buscar um carrinho, coloco o destroço em cima dele, e toca de ir à procura do balcão das reclamações…que fica do outro lado do terminal. Amena conversa em inglês com a menina do parceiro do handling da TAP, que fez questão de vir o destroço pessoalmente. Depois, deu-me um papelinho com um número, que dizia que “SIM, ESTÁ CONFIRMADO QUE A SUA MALA RIBENTOU E FICOU FEITA NUM MOLHO DE BRÓCULOS”, e disse para eu escrever uma carta quando chegasse a pt. Grande ajuda. Eu –estúpido- ainda perguntei onde é que podia comprar um rolo de fita-cola para fazer de McGyver. Ela respondeu tipo brasileira: “ai…não sei…”. Vim cá fora, e toca a começar a aula de bricolage: arranjo um canto sossegado do terminal de desembarque, e ponho-me aos saltos em cima da Samsonite azul, até ela recuperar a forma e o volume habitual. Com a dita cuja em formato aceitável, toca de repôr centimetro a centimetro, o fecho-eclair. Ainda por cima, tinha cortado as unhas no dia anterior, e portanto, a tarefa não foi nada fácil. Mas o Poder do Engenheiro é tremendo, e meia-hora e um litro de suor depois, a mala estava de novo fechada, pronta para ir até Haia, sem deixar pelo caminho os meus boxers.
E recomeça a guerra: apanhar o comboio. Com o stress todo, arranjei uma combinação de combóios e patamares errados, que cheguei lá na altura certa, através de 3 combóios diferentes. A pingar suor obviamente. Num dos 3 combóios, havia uma menina com botas de licra e saltos altos, com uma bicicleta dobrável do tamanho de uma garrafão de 5 litros. A minha tralha ao lado daquilo fez-me parecer um caracol em mudanças. Ela desceu na mesma estação que eu, e o garrafão deu lugar a um bicicleta de tamanho normal, ainda não percebi muito bem como. Mas vou investigar. Já em Haia, foi apanhar o tram até à Laranja electrónica. E só nessa altura reparei que ao contrário de Portugal, aqui tava um sol radioso, e um lindo dia de outono.

Chegada à LaranjaElectrónica

Obviamente, não pode haver uma chegada normal à Orange. Simplesmente não acontece. E hoje não foi excepção. Eu pensava que seria hoje muito mais pacifico, porque não só não ia chegar em hora de ponta, como ainda por cima o stress não me iria deixar ver nada de anormal, nem que na famosa passadeira me cruzasse com um elefante cor-de-rosa, a caminho de um disco voador. Burro…quem é que me manda pensar? Já devia saber que não se pode menosprezar o poder educativo daquela passadeira de peões. Quando ia a atravessar, vejo o impossível: o alegre proprietário de um Porsche 911 (vulgo Carrera) descapotável, embasbacado a olhar para o carro que estava ao lado. Heresia, toda a gente sabe que quem tem um carro daqueles é o alvo de todos mirones das redondezas, o rei do asfalto daquele quarteirão. Pois, este teve azar. Ao lado, parou um Mustang americano, cujo tamanho fazia o Porsche parecer um Citroën 2CV. Pode ser um charuto, mas não há duvida que o carro é imponente. E dono do Porsche, com o pescoço todo torto –concerteza pelo peso do meão que tinha levado- a olhar de lado. Depois do evento da passadeira do dia, lá cheguei à LaranjaElectrónica, a pingar suor, às 13h45, e a caminho de ter uma reunião com um caramelo chamado Rakesh às 14h. Almoço? Esquece lá isso…

domingo, 15 de outubro de 2006

Regresso a PT

Sexta-feira, dia de voltar a pt para o fds. Objectivo: 2 aniversários. Agenda cheia portanto. Assim como a mochila, que vinha a abarrotar de roupa para lavar. Ainda por cima sai-se da LaranjaElectrónica e vai-se directamente para o aeroporto, portanto vai-se logo com a mala para a cidade. No caminho do aeroporto, encontrei a anterior dona do meu apartamento, e minha colega na Orange, a italiana Laura Rota. E -antes que perguntem- sim, este é mesmo o nome dela. E não, "Rota" não tem qualquer significado especial em italiano. Como o avião aterrava à hora que eu devia estar no jantar, pedi a um amigo meu para me levar o carro até ao aeroporto. Portanto, foi abrir a porta do avião, sair disparado pelo hall das bagagens, e entrar no carro que seguiu a rasgar até Nafarros, onde se festejaram os 11 anos do meu antigo ginásio, o AssaforaGym. Com os sensores ainda calibrados em modo NL, pareciam todos anões, incluindo o dono, o Rino, que tem 1,93m e 100 e tal kilos... Picanha a rodos, regados com litros de sangria, e como sobremesa um slideshow dos melhores momentos do ginásio. Depois, lá fomos arejar as ideias para os bares ali da zona da praia de S. Julião.
No dia a seguir foi dia de emigrante: cortar o cabelo, fazer compras etc... Mais festa à noite: desta vez foi o aniversário da Nina, e do seu Factor T. A paparoca foi na Casa de Goa, spot muito fixe, não fosse preciso um mapa militar para dar com aquilo. Como estive em Goa no principio deste ano, deu para relembrar algumas coisas, tipo o baji-puri e o balchão, e armar-me ao cágado como quem percebe de comida indiana a potes, e fazer de guia turistico aos comensais que foram chegando ao longo de 2 horas... A noite acabou nas Docas, onde uma fauna estranha, oriunda da festa do caloiro do Tecnico se misturava com os motards que vieram para o motoGP. O pessoal acabou todo na galhofa no Café da Ponte, numa morna noite de Outono.

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

Dia de compras & Dia de copos

Quinta-feira, dia de encher a casa. Como neste fds ia a casa, aproveitei para comprar tralhas que não há lá por pt. Estive no centro a vaguear pelas lojas e drogarias, supermercado e lojas de telemoveis. Numa Phone House, comecei a falar com um empregado por causa de um modelo de telemóvel novo que eles lá tinham. Ainda não tinham passado 30 segundos, já me estava a dizer onde desbloquear os telemóveis: numa lojinha ao pé de HollandSpoor, a estação de comboio. Pelos vistos, tudo aqui revolve em volta de HollandSpoor. Tá visto que na próxima semana, lá vou eu experimentar os Lellos da Purificação do desbloqueio de telemóveis.
Continuando nas voltinhas, entrei numa loja de acessórios de carros e bicicletas. Caneco! Nunca tinha visto tanto acessório de bicicleta junto! Cadeiras, cadeados, capas, guarda-lamas,reflectores... Acessorios para carros? 2 ou 3, perdido aqui e ali. E nada mais digno de nota que uns GPS acabados de sair. O mais giro disto tudo é que as bicicletas, pelo menos para o tuga comum, não passam de umas pasteleiras a cair de podres, altas como girafas. Fiquei de tal maneira estupefacto, que me esqueci de comprar uma campainha nova para a Orange Beach Cruiser. Portanto, continuo mudo.
A caminho do centro, parou um carro junto ao passeio, com um casal lá dentro. Ela meteu a cabeça de fora, e pediu indicações, em inglês: "Olhe, desculpe, onde que fica o Spui?" O Spui é uma zona junto ao centro, que tem um teatro e uma zona cultural, perto do sitio da aventura do restaurante chinês. Eu, o já-cromo-de-Haia-com-GPS, respondi nas calmas:"Ah...isso é já ali à frente e à esquerda! Continue nesta rua, não tem que enganar!"
-Muito obrigado... -disse ela.- E já agora, ondé que são as putas?" Eu devo ter ficado vermelho,roxo, às pintinhas azul-esverdeadas, às riscas... Não me desmanchei, tanto quanto possivel a uma senhora da 3ª idade durante um afrontamento, e lá disse que isso era prá esquerda, mais perto do rio. E que em frente havia uma casa de livros de quadradinhos, como ponto de referência. Ela lá agradeceu de novo, e arrancaram. Quando se afastaram, reparei que a matricula do carro era belga. Já o Obélix dizia, e pelos vistos com razão: "Estes belgas são loucos!" E lá fiquei com calor durante as 3 horas seguintes. Cair da noite em Haia e eu a passear alegremente de T-shirt a ver montras.
Antes de apanhar o tram para casa, passei pelo Alfred Heijns para encher a despensa. Trouxe água -com POUCO gás- 3 ou 4 tipos diferentes de bolachas, e leite. Sim, leite e não pudim, que desta vez não trouxe o pacote que dizia "vla" e sim o que dizia "melk", e tive o cuidado de chocalhar para ver se o barulho batia certo com o conteudo. De facto, isto é o pais dos bolos e biscoitos. Qualquer supermercado de esquina tem 30 tipos diferentes de bolos e biscoitos...frescos. Mais as tralhas tradicionais bugigangas da Dan Cake e respectivos bollycaos. Que aqui ninguem toca, a menos que tenha 4 anos, e queira o autocolante que lá vem dentro.
Enchi a mochila com as compras, fiquei tipo caracol marreco, e fui largar a tralha a casa.
Assim que cheguei, recebi uma mensagem dos outros tugas a dizer que estavam no Grote Mart. Troquei de t-shirt, que a outra tava ensopada, por causa dos afrontamentos e das compras, e lá voltei eu para a cidade. Dia de esplanada, porque não estava a chover. Um dos Tugas pôs-se a oferecer cervejas ao bêbado-louco-desdentado de serviço do Grote Mart, que se pôs a venerá-lo como o Dalai Lama. Na direcção inversa, comecaram a passar raparigas invulgarmente bem arranjadas para a zona. Mais 3 ou 4 rodadas depois, já os tugas estavam alegres como o bêbado. A diferença estava nos dentes. Meia-noite, hora do recolher obrigatório. A Ana Chucha (Sim, é mesmo o nome dela) decidiu regressar à base, e os rapazes decidiram investigar o spot que estava a recolher faz 2 horas a maior colecção de saltos altos que eu vi nas ultimas 2 semanas. À entrada, entrou o Manel, sem espiga, e barraram um dos nossos elementos, mesmo à minha frente, porque ele tinha mochila. Perguntaram se estavamos todos juntos, pediram para ver o conteudo da mochila, e depois o segurança virou-se para mim e perguntou "ele tá bêbado?" Esta terra é mesmo uma caixinha de surpresas. E depois lá entrámos todos.
Lá dentro, estavam concentrados os 5 continentes. Se entrar aqui a Odete Santos de braço dado com o Paulo Pires ninguem nota. Se entrar o Antonio (mesmo) Feio com a Merche Romero, também não passa de um banal casal. Blacks-do-ghetto, misturados com Claudias Schiffer, é o prato do dia. Em todas as variaçoes possiveis. Vi Indianos, sul-americanos, asiaticos, africanos... A musica ia dos vulgares de hiphop a alguma música de dança mais interessante. Calor e fumo, qb. E eu já me tinha refeito do susto/afrontamento, mas em meia hora tinha a tshirt de novo ensopada. Tava eu com os outros tugas no meio da pista, agarrados aos copos -de agua, no meu caso- quando algo fofo passa pelos meus ombros. Olho pelo canto do olho, e vejo um decote! Ora bem, se eu tenho 1,83m, imaginem o que é um par de mamas ao nível dos meus ombros. Claro que a 40 cms de toda esta cena estava um casal de indianas com pilhas duracell, que dancaram toda a noite, embora nao tivessem mais que metro-e-meio.
Ao contrário de Portugal, sejam bonitas ou feias, as raparigas são altamente abordáveis, não havendo até agora sinais de narizes empinados. Um dos nossos elementos acercou-se de uma jovem bem apessoada (de ladrar, portanto), perguntou-lhe o nome, e pelos padrões portugueses estava tudo a correr sobre rodinhas. A meio da conversa sai a frase: "mas olha, eu não tou interessada em ti..." Ok, enfia a viola no saco, beijinhos e abraços até à próxima. "Sans haine, sans violence et sans armes". Há umas quantas miúdas em Portugal que valem um terço do que estas valem, que podiam vir cá fazer um estágio e aprender umas coisas. Sobretudo, como ser socialmente agradáveis e bem educadas. Estava a apreciar o zoo, quando à minha frente passa um copo meio amarelo, meio vermelho. Por reflexo, virei-me para a miúda que o trazia na mão, toquei-lhei no ombro e perguntei, directo: "olha, o que estás a beber? Safari." respondeu ela, nas calmas. Okm nada de assim tão incomum. Aquilo fazia era um efeito giro no copo. Quando começo a olhar para a miúda, apercebo-me de facto do avião que era, meio chinesa, e pronto... começou o modo Taborda-no-seu-melhor, à beira de outro afrontamento. Provavelmente, fiquei com a expressão corporal do menino tonecas, e devo ter começado a gaguejar para dentro. Excusado será dizer que a conversa ficou por ali, e a miúda e o seu safari continuaram o seu caminho.
Por volta das 3 da matina, decidimos bater em retirada. Toda a gente trouxe as biclas, e eu tinha vindo de tram, portanto, fui apanhar o NachtBus. Encontrar a paragem foi uma tourada, porque não estava assinalada. Quando encontrei, porque o dito autocarro chegou, saiu de lá o motorista, empurrou me para fora do veiculo, e disse alguma coisa em holandês. Quando eu perguntei em inglês, ele disse alguma coisa em holandês tipo "Não falas holandês? Azar!" Deve ter aprendido a trabalhar na carris, este simpático! E pronto, lá fiquei eu vinte minutos à espera. Quando ele voltou, eu entrei, e tentei comprar o bilhete de 3 euros com uma nota de 50. Ele vociferou que não tinha troco e mandou-me à praça de taxis trocar a nota. Lá fui eu. Ao 7º táxi, láapanhei um mais simpático, que me trocou a nota. Quando me viro, o $#%#$%# do motorista da carris tinha arrancado sem mim. E lá ficou o belo do portuga apeado.
Lá tive eu de apanhar o táxi. Conversa puxa conversa, e afinal este táxista era o dono de uma companhia de táxis, e deu-me o contacto pessoal dele, e disse que me fazia um preço porreiro para ir directamento ao aeroporto quando fosse preciso. Basicamente, metade do que eu já tinha pago anteriormente.
Afinal, a noite não foi perdida...

A Ana fez um ano de Holanda

Na terça feira passada, a Ana fez 1 ano de Holanda. Fomos  todos jantar fora para comemorar a efeméride. Ainda não tinhamos saído da Laranja Electrónica, e já o granel tinha começado: apetecia-lhe experimentar comida surinamesa, e tinham-lhe recomendado um restaurante ao pé da estação HollandSpoor, chamado LungFung. Fomos à procura na net, e demos com a página do dito LungFung. Só que não ficava perto da dita estação, mas sim do Grote Mart, o sitio da mega-esplanada, segundo o mapa do GPS. Confiando na tecnologia, lá fomos todos para o Grote Mart, e de facto, demos com o LungFung. À entrada do restaurante estava um neon que dizia “LUNGFUNG – CHINESE AND SURINAMESE FOOD”. Pronto, era ali, sem dúvida. Mas depressa uma dúvida se colocava: sendo o Suriname outro nome para a antiga Guiana Holandesa, um pais a norte do Brasil, o que é que isto tinha a ver com a China? Afinal, afinal, são apenas 2 continentes em lados opostos do globo. A fome apertava, e decidimos entrar sem demoras. Lá dentro, o staff era todo chinês, e falavam chinês entre elas. Sul-americano? Só se tivesse uma garrafa de guaraná no frigorifico.
A minha sorte proverbial continua a dar sinais, e toda a gente apanhou um menu em inglês excepto eu, que levei com a versão holandesa. Podia ter sido pior, e ter levado com a versão original… Em relação aos pratos, foram escolhidos meio ao acaso. Havia lá um mix de carnes que nos pareceu interessante. Encomendámos o arroz e a massa frita tipica dos chineses para acompanhar. Um rebelde pediu uma coisa mais estranha, que afinal não passava de outro nome mais exotico para os tais molhos de bróculos enfeitados de strogonoff de galinha, a boiar em baba de alien chinês. Mas o mix de carnes foi o jackpot! Uma das carnes era literalmente o belo do chouriço português, que evaporou num abrir e fechar de olhos. Curiosamente, o frango foi a última das carnes do mix a acabar. Geralmente o frango é o valor seguro.
Depois do jantar, voltámos ao Grote Mart, ao já tradicional bar ‘De Zwarte Ruider’, o tal Cavaleiro Negro. Como hoje não estava à pinha, arranjámos uma mesa redonda com facilidade. A Ana fez questão de pagar a primeira rodada, cerveja para todos, e coca-cola para mim e para a Silvia, os dissidentes não-alcoólicos de serviço. Claro que ninguém arredou pé enquanto cada um de nós não pagou uma rodada ao pessoal. A conversa animada, e bem regada, demorou 30 segundos a descambar para o sexo, e foi o tema forte da noite. Pensando bem, costuma ser sempre o tema forte de qualquer conversa de Portugueses. Conversa de gajos? Esqueçam lá isso…. que elas são piores que eles. Afinal, quem ficou mais vezes corado foram os rapazes. Mas pronto, juntem 8 portugueses e algumas cervejas que dá sempre nisto…
À meia-noite, transformá-mo-nos todos em abóboras, e lá nos arrastámos para casa, que no dia seguinte, era dia de picar o boi.

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

Mais uma chegada atribulada

Obviamente, hoje não podia haver uma chegada normal à Laranja Electrónica. Vim de tram, atravessei as ruas, porque a paragem fica do outro lado do canal que divide esta avenida ao meio. Na ultima passadeira, onde ontem vi os cavalos e os guardas da rainha, sou hoje quase que atropelado por um Porsche Boxster preto. Como quase todos os Porsches, este também tinha uma loiraça lá dentro; mas neste caso –raro, note-se- a loiraça vinha ao volante. Virou para a Laranja Electrónica, e estacionou mesmo em frente da porta. Quando eu estava a entrar, reparei que ela também vinha para o mesmo edificio. Quem será a misteriosa loira do Porsche preto?

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Daqui a 2 semanas...

...cai o Carmo e a Trindade: Amsterdam Dance Event!