La vou eu mais uma vez a caminho de Praga!
Ou melhor, já ca estou.
E la estou eu a mentir outra vez: desta vez, a única coisa que vi de Praga foi o…aeroporto. Bom, vamos começar pelo principio: tive de vir instalar o software da minha companhia a um cliente. O cliente e a Galp, versão checa. Estava eu todo contente de ir parar a uma cidade interessante como Praga, a conta da empresa, coisa relativamente rara para quem anda no mundo do software.
Claro que isto eram as minhas aspiracoes de maçarico. Eu faço software para refinarias, e portanto, “a refinaria de Praga” não fica propriamente no Bairro Alto ca do sitio, mas sim a 30km da cidade, no meio de nenhures, perto de uma aldeiazeca chama Kralupy. O hotel também não e propriamente central: por uma razão que eu desconheço, fomos parar a outro buraco perdido nas imediacoes de Praga, chamado Rostoky. Digamos que e uma zona rural, com uma ilha de prédios a volta da estacão de quim-boio. Nessa ilha, esta o Hotel Academic. Aspecto moderno. Por dentro e por fora.
Para quem viu o Bloco de Leste e o seu aprimorado sector hoteleiro em 91, isto e uma revelacao. Uma recepcionista que fala inglês, alcatifa, cartões com chip para entrar nos quartos… Enfim, um hotel convencional.
Claro que há coisas que não mudam: assim que entro no quarto, com 2 camas de solteiro, noto que as camas estão feitas a maneira checa –ou seja- com o edredon dobrado ao fundo da cama. Dirijo-me a cama da direita, puxo a almofada e dou conta que o lençol que deveria cobrir o colchão fica 40 cms abaixo do desejado. Quem quiser dormir naquela cama, ou usa almofada, ou enfia a cara no colchão. Ora bem. Cantando e rindo, la me dirigi para a outra cama. Olho para cima: no tecto falso, onde deveria estar a estrutura do candeeiro embutido, esta de facto uma lâmpada fluorescente. Do resto da estrutura….esta la o sitio. E por trás, uma linda paisagem de cabos industriais a passar soltos por cima do tecto falso.
Claro que tudo e relativo: reclama-se das pequenas coisas… mas isto não e nada comparado com o que era antes, e muito menos com aquilo que vi em Goa, onde havia agua quente 4h por dia, os rolos de papel higiénico pareciam amostras, e quando me sentei na cama….ela partiu. Reclamar dos pequenos detalhes checos? Nem pensar!
6h30, alvorada. Aos zigzags, la vou eu a procura da casa de banho. Uma das luzes por cima da bancada esta fundida, portanto hoje so devo ter a barba bem feita de um dos lados; do outro devem faltar bocados, e ter pelo soltos no que resta. Duche: abro a torneira e ouço uma torrente de agua, quente e tudo. Nada como um duche valente de manha para acordar. Salto para dentro da banheira, e com agarro no chuveiro, a agua sai com uma pressão irrisória. Quente, mas parecia que a agua que há segundos eu tinha visto a jorrar da torneira se tinha assustado com a minha cara de sono, e insistia em não sair. Mas como dava para tomar banho confortavelmente, nem liguei muito. A meio do duche, percebi o mistério: a bicha tinha uma fuga descomunal, e portanto a agua deslizava do lado de fora, para baixo. Eu so apanhava com o resquício que não fugia.
A parte surreal esta no facto de sermos apenas 3 hospedes em todo o hotel naquele momento. Não haveria nenhuma razão para ter um quarto a cair aos bocados.
Hora do pequeno almoço: como o colega holandês fez questão, la estava eu as 7 em ponto na sala do pequeno-almoco. O mesmo não se podia dizer do pequeno-almoco propriamente dito. Havia uma arvore com taças de vários tipos de cereais de pequeno almoço, uma maquina de café, e uma maquina de sumos. O resto…nada. E também não havia vivalma a vista. La esperamos um bocado, e apareceu um empregado vestido de pinguim com laçarote, com 2 pratos com algumas carnes frias, umas fatias de tomate, pimento e pepino. Já vi que nesta terra pimento vermelho e pepino nunca falta, seja qual for a hora do dia. Na viagem seguinte, la trouxe um cestinho de pão, umas manteigas e afins. E depois perguntou: “Ovos estrelados? Mexidos? Bacon frito?” Uma vez que não tinha jantado, eu disse que sim aos ovos estrelados. E ele la desapareceu mais uma vez. Deve ter ido fazer cócegas as galinhas para elas porem os ovos porque os ovos demoraram pelo menos 20 minutos ate aparecerem.
Depois do épico pequeno almoço em fascículos, la nos fizemos a estrada ( forrada a queijo suico, de tanto buracos que há nesta terra) a caminho da refinaria, para começar a jornada de trabalho.
terça-feira, 16 de março de 2010
Hradcany – parte 3
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Nao ha duas sem tres
Quando descobri que vinha parar a Holanda, pedi aos colegas da empresa em Portugal se me podiam facultar o contacto de alguem que ja estivesse por terras holandesas, afim de perguntar como era o tempo, o que devia trazer, e o resto das questoes operacionais. A resposta que ouvi foi imediata: "Ah! Ligas a Chucha, que ela diz-te tudo o que precisas!". Chucha?!? Sim, havia uma colega chamada Chucha, e que por acaso foi quem me apresentou o resto da equipa da Orange. Os leitores mais assiduos lembrar-se concerteza do Primeiro Jantar na Holanda.
Na Orange, fui logo apresentado a multidao de portugueses que por la andavam (chegamos a ser 12) e fui conhecendo o resto aos poucos. Ao segundo ou terceiro dia, esbarro com uma italiana de sorriso fofinho e muito, mas muito, timida. Nome? Laura Rota, pois entao. Nao rebolei a rir durante 3 dias porque nao calhou...
Agora, estou numa empresa que e so homens. Sim, mesmo estando habituado a empresas de informatica, isto e a industria do pitroil. Em toda a equipa, ha uma rapariga, que nao sei bem como e que aqui veio parar, e a secretaria, que mais parece um buldozer, ao mais puro estilo holandes. Ao pe dela, eu sou um tipo fofinho e cor-de-rosa.
Ha umas semanas, apareceram por aqui umas caras novas. Entre elas, uma miuda novinha, de caracois pretos, que bem podia ser portuguesa ou espanhola. Passava por mim a caminho da maquina do cafe, mas eu nunca percebi de onde vinha a peca. No inicio desta semana chegou outra igual, e portanto passaram a ir aos pares a...... maquina do cafe. Umas vezes falavam uma cena estranha -mesmo, mesmo estranha- e as vezes frances. Numa das rondas da hora de almoco ao super-mercado, elas calharam vir no meu grupo. O holandes que trabalha ao meu lado ha 4 meses perguntou de onde e que eu era: Portugal, aquele jardimzinho ha beira mar plantado, tas a ver? E por cortesia, perguntei de onde elas vinham tambem: da Tunisia! Excelente razao para terem cabelo escuro e falarem uma lingua estranha.... Mudados para frances, meter a conversa em dia, com os peru-menores de como e que viemos aqui parar e o que estamos ca a fazer. Quando regressamos a base, eu ja sabia quase tudo da vida delas, excepto o nome:
"Entao como e que voces se chamam? Eu sou Hugo, muito prazer.
-Ah, nos temos o mesmo nome. E Asma....."
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Doisneau em LEGO
E sempre bom quando vemos alguem que partilha os mesmos interesses que nos. Melhor ainda, e quando descobrimos alguém que os consegue combinar. Isso sim, e de valor.
O Holandês Rastejante – ou seja, a minha humilde pessoa – e um grande fa de LEGOs desde tenra idade, e faz da fotografia um dos seus hobbies. Julgava eu que seria difícil combinar os dois, para alem de tirar as fotografias dos catálogos que colecciono avidamente desde que me conheço por gente. Reconheço o desafio técnico de fotografar as pecinhas coloridas, tal como qualquer pessoa que já fotografou em estúdio: devido a grande quantidade de arestas bem delineadas, fotografar uma cena em LEGO e um pincel porque fica cheia de sombras. Com luz a mais, a imagem mais parece um desenho animado de segunda qualidade.

Ate que alguém decidiu reinventar a roda: recriar as obras classicas dos grandes mestres da fotografia (Robert Doisneau, Robert Capa, etc…) com as personagens da LEGO. O génio que merece beijinhos chama-se Mike Stimpson, e para alem da originalidade, tenho de lhe tirar o chapéu pela qualidade das imagens que publica. Podem ver mais imagens na galeria.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Nova Musica Brasileira
O Musiekgebouw e a Casa da Musica ca do sitio, e fica literalmente ao fundo da minha rua, a boiar sobre o ‘mar’ de Amsterdao, o IJ. Primeiro desafio: a entrada e uma rampa, entre um viaduto e o ultimo piso do edificio, com um vao descomunal por baixo. A rampa e solida, mas como a proteccao lateral e apenas constituida por fios de aco, o horizonte visivel chega ate a agua que passa por baixo de nos. E eu tenho vertigens… Segundo desafio: encontrar a esgroviada e a sua amiga no edificio. Aquilo tem dois restaurantes, uma esplanade, e estava tudo a pinha. Para ajudar a festa, portuga que se preze nao e grande. E de facto, la estava ela por detras de um….turbante! Sim, tambem ha disso por aqui.Abancar, apresentar os desconhecidos, divagar sobre as saladas do menu -muito boas, por sinal-, e descobrir q a amiga e outra tuga, simpática, perdida na terra das socas, trabalha em biotecnologia, e originalidades das originalidades: tem um blog! Original mesmo, e que uma tuga em Setembro consegue estar mais branquinha que os holandeses que a rodeiam. Como diria o Ali G: Respect!
Entre duas garfadas e uns bitaites: “-ah e tal, nao queres vir ao concerto connosco?
- Humm… E o concerto e o q?
- Nova musica brasileira. Parece muito fixe!
- Euh…. Bom, entao nao tenho nada de util que fazer esta noite, e esta semana nao fui ao SneakPreview. Ondek se compra o lhete?”
E la fui eu a procura da bilheteira. Ao lado, la estava o poster do dito concerto: “Nova Musica Brasileira by Nieuw Ensemble”. O meu 6o sentido adquirido ao longo de dez dolorosos anos na Academia de Amadores de Musica tilintou, mas como esta tão enferrujado como o meu solfejo, não liguei. Coisas tocadas por ‘Ensembles’ não costumam ser recomendáveis.
La entramos, com direito a um livrinho tipo opera, e demos de caras com um auditório bastante composto, mas com uma audiência…euh…mista. Desde a avo do violonista ate ao pseudointelectualoide armado ao pingarelho, tava la de tudo. Segundo o livrinho, iríamos assistir a 7 pecas de compositores comtemporaneos brasileiros, elaboradas especialmente para aquele evento e para aquele ‘ensemble’. As festividades começaram com “Dois pássaros mecânicos e uma gaiola melancólica”….e a partir dai foi sempre a descer. Como vem sendo normal na musica clássica de vanguarda (note-se o ridículo dos termos) o guitarrista fazia percussão no corpo da viola, e um dos instrumentos do percussionista era um saco de plástico amarelo pendurado num suporte de um microfone. E claro, não esquecer o baixista que largava o instrumento para tocar…lixa. Sim, junto a partitura, tinha 2 pedacos de papel de lixa que esgravatava afincadamente quando o maestro lhe fazia sinal.

Nos, os 3 estarolas, já so nos riamos. O que esperar do próximo trecho? Como se veio a confirmar: pouco, muito pouco. A coisa não melhorou. Mas fica a memoria de uma noite diferente, e de mais uma historia para contar aos netos!
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Notinhas
Ele ha malucos para tudo, ja sabemos...
Mas de vez em quando, ha um maluco mais maluco que os outros.
Atraves de um amigo que conhece um primo da sogra de um vizinho que tem uma pulga amestrada, chegou-me as maos o link para o site EuroBillTracker .
E nao e que alguem criou um site para registar e seguir as notas que nos passam diariamente pelas maos? Depois das perguntas da praxe para abrir uma conta no site, preenchemos um formulariozinho simples, com o sitio onde estamos e as caracteristicas da(s) nota(s) que temos no bolso. E la vao elas parar a uma base de dados. Se for uma nota conhecida, da para ver o percurso efectuado atraves de um mapa. O pessoal que construiu o site devia perceber da poda, porque so pelo codigo da nota e pelo numero de serie, consegue-se saber onde a nota foi impressa, e em que data.
Apenas para confirmar a inutilidade do site, la tive eu de me sacrificar, ir a caixa multibanco, sacar uma nota (na Holanda raramente ha notas abaixo de 50 aerios nas ATMs) e ver o que dava no site... Calhou-me uma nota belga, de 2002, mas sem registos anteriores no site. Quando olhei para lado, ia-me dando um treco! Entao nao e que ha pessoal com 800.000 notas registadas, e outros tantos a registar 5000 notas por semana? Como nao podia deixar de ser, no topo do ranking ta um holandes.
Ha mesmo pessoal que nao tem mais nada que fazer...
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Tou inteiro!

Noticia da manha: um aviao da Turkish Airlines espetou-se no aeroporto de Amsterdao, ou seja, onde eu trabalho. Claro que nao se trabalha de momento, e dado que temos um campo de visao bastante grande sobre as pistas do aeroporto, ta tudo com o nariz pregado na janela e nao no ecran.
E para ser honesto, nao se ve nada... nao que isso interesse para alguma coisa.
Mas pelo menos, o HolandesRastejante escapa ileso a mais uma catastrofe a escala...euh...regional! :-)
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Suid-Afrika
Para os mais desatentos, e Africa do Sul na lingua local, o Afrikaans (um primo nao muito longinquo do holandes).
Depois de 10 dias por Joanesburgo, missao cumprida: voltar inteiro, vivo e sem buracos de balas. Aquilo nao e o faroeste, mas pouco falta. Para dizer verdade, nao vi a ponta de violencia, mas la que ha potencial, isso nao ha duvidas.
Como piece-de-resistance, fomos a favela chamada Alexandra. 750.000 habitantes, ou seja, do tamanho de Lisboa. E uma visita a uma favela abana sempre os nervos. Talhos ao ar livre, casas de lata, criancas a brincar na rua... enfim, 1000 imagens para mais tarde recordar. Mas ao contrario do que seria de esperar, havia sorrisos por todo o lado. E nao levamos um tiro, como muitos previram. Seja como for, gostei da experiencia, mas nao recomendo que se va la sozinho...
Tambem foi altura de tirar a barriga de miserias da comida holandesa; naquela bendita terra, os bifes de 1kg vendem-se a 12 euros. Agora imaginem o estrago q nao foi.
Mas resumindo, aquilo e uma terra de oportunidades, embora ainda tenha uma mao-cheia de problemas a resolver. Mas quem gostar de boa comida, muito sol, e andamento, e pra la que tem de ir!
terça-feira, 3 de junho de 2008
Operacao Amsterdao
Depois de ano e meio na Holanda, estacionado em Haia, resolvi finalmente dar o salto pra megalopole. Amsterdao, aqui vou eu!
Depois de uns filmes com a casa anterior, ou melhor, com a senhoria da casa anterior, iniciei a minha demanda de uma toca amsterdense. Meus amigos.... nao e facil. Entre o caro e o impossivel de encontrar, e assim que esta o mercado imobiliario da capital.
Acima de tudo, a qualidade media e muito, muito ma. Finalmente, encontrei um abrigo temporario por dois meses. Um apartamento com uma sala de baile de um ziliao de metros quadrados, um plasma maior que a minha tabua de passar a ferro e uma cozinha com lava-loicas.
A partilhar a casa comigo ta um ingles de cor transparente, mais novo, chamado Aidan, e que e cromo dos computadores. Para os que nao sabem, eu tambem sou informatico, e geralmente sou o tecnico de servico dos varios sitios onde moro. Mas este bate-me aos pontos. Trabalha para uma empresa chamada Mutant-qualquer-coisa, tem uma tower maior que a minha mesinha de cabeceira com 2 ecrans achatados, e uma mala de ferramentas do tamanho de um caixote de bananas. Desembarcou, como eu, de armas e bagagens, e pelo menos pela quantidade de material de cozinha, produtos de higiene, e detergentes que trouxe parece ser bem acima da media dos ingleses que conheci ate agora. A ver vamos como corre mais esta aventura do Holandes Rastejante...
