domingo, 17 de dezembro de 2006

Aniversario do Ninja das Caldas

Depois do regresso de Breda, toca a ir a casa, largar a tralha de viagem, e rumar a casa do Miguel, mais conhecido como o Ninja das Caldas, que esta semana ficou um ano mais velho.
Claro que o caminho para la nao podia ser desprovido de problemas, e comeco a ficar mais a vontade em Haia, deixei o GPS em casa. Erro crasso! Fui parar a milhas da casa dele, saindo numa paragem com o mesmo nome mas que nao fica nem perto daquela que era suposto. Ainda por cima trazendo um blusao leve e a fazer um frio de rachar... Grande concentracao de tugas, obviamente, e da namorada -sim,namorada- que foi aqui anteriormente referida no episodio "Der Pater".Estava la tambem uma amiga dela, mas nao era o Predador, mas sim uma holandesa com pinta de alema, ou alema com pinta de holandesa. Ainda nao percebi bem. Alias, ainda nem consigo perceber bem o nome dela. Mas isso nao interessa: o que e importante e que e uma miuda porreira e simpatica. Antes que comece a receber mails a pedir o numero de telefone dela, aviso ja que tem namorado.... :-D
As duas estranjas presentes tinham como caracteristica comum o facto de ja terem estado em Portugal e de arranharem o portugues. Bem mais do que nos a arranhar o holandes, esse estranho linguajar local.
Como cheguei bem passado da hora prevista, ja apanhei pouco do ponto alto culinario da noite: chourico assado em alcool. A peixa deve-se ter desforrado a grande! Tive de me refugiar no Brie que uma das estranjas trouxe, e na salada grega que por la andava. E nas azeitonas!
O principio da noite foi soft, porque havia alguns elementos que fizeram do portatil a estrela da noite, tanto para acompanhar o jogo do sporting, como para jogar PES6. Parecia uma festa de juvenis. E as coitadas das miudas holandesas a morrer de tedio num canto. La chegou a hora de lhe dar a prenda (um iPod todo paneleiro) e apagar as velas. Ele teve direito a um bolo austriaco, porque esta miuda estraga-o com miminhos. Por ele, podia ter sido bolacha maria, mas o resto dos convivas agradeceu. A seguir, comecaram logo as desistencias. "Ah e tal, doi me aqui, tou cansado pq existo, e as desculpas do costume..."
Do nada, surge um movimento de rebeliao, reune-se um nucleo duro e decide-se ir sair! Arruma-se a casa num «estante», e ruma-se ao One Four.
La dentro, comecam os ataque de torcicolo. E nao fui eu que fiz tal afirmacao. Tavamos bem acompanhados (diminutivo, como podem ver pelas imagens anexas) mas a verdade e que aquilo parecia um aeroporto em hora de ponta. A musica e que pronto, estava ao melhor nivel....de um bar de Xabregas. De facto, aqui so ha 2 tipos de DJs: o DJ Tiesto, e os merdosos. Dancamos, pulamos, e abanamos o capacete, na medida do possivel, mas a verdade e que curtimos a brava.
A saida, eu tive de dar uma corrida nocturna para apanhar o Nachtbus -aquele que me deixou apeado da outra vez- senao era uma hora ao frio, ou meia hora a andar pra Scheveningen. Sorte ( ou melhor, velocidade) e consegui apanha-lo res-ves!

Breda e a Ervilha Maravilha

Dia de conhecer Breda, a cidade onde se encontra a Tita, a Ervilha Maravilha. Uma
hora de comboio a partir de Haia. E claro esta, o tempo nao ajudou. Breda é uma pequena cidade estudantil no sul da Holanda, e a Tita a mesma coisa. :-) Uma risonha estudante de turismo, leia-se turista, tipo tamagotchi para a escala holandesa, perdida no sul deste pais cheio de agua.
A Tita do blog ao lado, e uma portuguesinha electrica e animada a fazer o seu ano de Erasmus, que tem a particularidade de nao comer fritos, mas dar forte e feio nos gelados. Embora eu esteja supostamente em contencao calorica, nunca me nego a acompanhar um portuga numa manobra destas, e resolvemos experimentar os gelados australianos (sim, da terra dos cangurus) que existem em algumas cidades aqui da Holanda. E nao e que sao bons de verdade?
Mais umas voltinhas, e vimos umas coisas curiosas: a nova versao do modelo do meu carro parado em frente a uma loja de comida turca. Quando me viram a espreitar la pra dentro, ainda se meteram comigo no gozo, e quando vi a pinta do dono do carro ( e da loja) percebi que estava prestes a entrar num episodio dos Sopranos. Pouco mais a frente, fomos a uma loja de bebidas alcoolicas, para eu levar para a festa dessa noite, em busca de Absolut Vanilla. Nao havia, trouxe Absolut Raspberry. Quando estavamos na fila para pagar, a senhora da frente, vira-se para nos com um sorriso e pergunta: "Desculpem la, mas posso perguntar que lingua é que estao a falar?
E portugues. Eu sei que e dificil de acreditar, mas eu juro a pes juntos que e uma lingua latina..." respondi eu. E depois, a Tita e eu passamos o quarto de hora seguinte a rir.
A cidade pouco mais tem que um centro cheio de lojas, agora no natal cheias de gente atarefada a comprar de tudo um pouco, e um par de igrejas, junto de um parque muito bem cuidado, cheio de lagos e patinhos. E chuva, muita chuva. Mas isso vem de brinde...
Foi mais uma visita relampago, porque ela tinha que estudar holandes para um exame, e eu tinha de regressar a Haia para os anos do Miguel.
Mais uma tuga perdida na terra das socas!

sábado, 16 de dezembro de 2006

Desembarque em Roterdao

Este fds vou ficar em Haia, coisa rara. Fim de tarde na Orange, toca a combinar a saida. Tudo a cortar-se "ah e tal, ontem foi o jantar da empresa, tamos todos partidos...." . Tava prestes a partir pro plano de contingencia, quando aparece a Peixa, toda electrica gracas a um Smirnoff Ice que lhe tinham dado numa festa de despedida de alguem e declaro a plenos pulmoes que queria "ir comer chouricos a Roterdao!". Bom, nao e propriamente o meu plano perfeito de sexta feira a noite, mas nunca nego uma ciencia que desconheco. Da praki, puxa pra ali, ela arranjou um 31 que todos os tugas da LaranjaElectronica foram parar a Roterdao, em busca do Cafe Lisboa. Ate os que ja estavam em casa, a curtir a noite pacificamente. E ainda nos acompanhou o Pierluca, o italiano XL que comeca a ser o portuga honorario.
Uma vez chegados la, aquilo tava ao barrote. Dado o indice de fomeca da malta, rumamos a outro destino, e acabamos num restaurante de barbecue. Acabamos por descobrir que havia igual em Scheveningen; pouco importa, o essencial e que enfiamos o dente na bela da chicha. Levantamos ferro, e fomos de novo ao café Lisboa para a bela da bica. Nicola, nem mais.... Aaaaah, isto sim! É tecnologia cafezal! E depois, regressamos a Haia, de facto, todos podres...

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Mais RAM

Andei a mendigar mais um mega de RAM para o meu Dell do trabalho (que de facto da muito jeitinho) e ele mandou me comprar a cena, instalar, e meter nas despesas do final do mes. Desde que nao de trabalho, ele nao e furreta.
Encontrar a memoria e q ja nao foi tao facil: SO-DIMMs de 533Mhz e 1Gb nao sao faceis de encontrar. Mandei vir pela net, e tive de o ir buscar aos correios. Chegado a LaranjaElectronica, aula de bricolage: toca de desmontar o Dell. Tirar uma tampa, enfiar a placa no slot, fazer clic, fechar a tampa e ja ta.... Julgava eu.
Ao arrancar, a bios da me um erro de que a memoria tinha sido mudada....e para. Para alem da informacao ter sido muito util, ia me dando um treco. Desmonta, remonta, tira, mete, poe. Sempre a bloquear. Fui a outro pc, sacar os manuais tecnicos da net. Nada. Nem o erro se encontra descrito. Fez se luz no meu espirito, remontei tudo e esperei. Depois de 30 segundos, ele arrancou normalmente. Puf, q alivio....

E de facto, faz uma diferenca: consigo ter 4 ficheiros de 400 megas abertos no windows, e ele nem pestaneja.... Agora e q vai ser sempre a abrir para cruzar dados!
Bom, e o firefox tambem agradece! :-D

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Comecar a semana em beleza

Depois de outro fim de semana blitzkrieg em Lisboa, ja com laivos de natal, toca de repetir o ritual madrugador do voo TP668, das 7h45. Desta vez, a sala de embarque era diferente: será que finalmente iriamos passar a embarcar por manga em vez de apanhar o Tó Carro para chegar ao aviao? Era bom. Nao era no mesmo sitio, mas apanhamos o To Carro a mesma. Delirio matinal, que querem... As 6h45 da manha, nenhum portugues está com as meninges a carburar convenientemente.
Já dentro do aviao, com o atraso costumeiro (do avião, note-se). o comandante comecou a despejar uma grande lenga-lenga, a avisar que estavamos atrasados, e que se devia a dois passageiros vindos de Bogotá, e cujo vôo estava atrasado. Se demorassem muito, teriam de descarregar as malas, por razoes de seguranca. Passado uns minutos, viu-se chegar um To Carro gigante, de onde saiu um casal de Apaches carregados de sacos de plastico gigantes. La subiram a bordo, e de facto os sacos de plasticos eram tao grandes que as hospedeiras tiveram de guardar aquilo algures la pra dentro, que nao cabiam nas bagageiras normais.
E la arrancamos nos pra Schiphol.
A chegada, saio do aviao, e comeco a palmilhar o Terminal 2 rumo a saida. Quando estou a chegar ao hall dos freeshops, um gajo passa a minha frente com uma fita igual ao da Brigada de Transito, e bloqueia o terminal. Espantado, olha mais para a frente, e estava alguem deitado 4 metros mais a frente, rodeado de segurancas. Como estava a chover, todas as pessoas estavam com os blusoes de chuva verdes e amarelos fluorescentes do aeroporto de Schiphol. Pouco depois, chegou um medico a civil, que comecou a comandar as operacoes de reanimacao. Eu nao percebo -e sinceramente quero continuar a nao perceber- nada de reanimacao, mas dava para perceber que aquilo nao tava facil. Entretanto, este incidente tinha acontecido no unico sitio que pode bloquear totalmente o terminal 2. 10h da manha num dos aeroportos mais dinamicos da europa, claro que podem imaginar que se tinha acumulado uma multidao de cada lado do tunel. No entanto, um silencio sepulcral. Ja de si, coisa rara num aeroporto, muito menos quando se provocam atrasos. As pessoas ate se afastavam para telefonar a dizer que estavam atrasadas. As unicas pessoas que falavam normalmente era a equipa que rodeava o infeliz viajante, e a seguranca, que estava constantemente agarrada aos walkie-talkies. Os "reforcos" das equipas de socorro nunca vieram de dentro do edificio do aeroporto. Vinham de carrinha ate uma manga que se encontrava ali perto, e subiam pelas escadas. Assim com o primeiro medico, e com a ambulancia peso-pesado que chegou mais tarde. Ao todo, as manobras de reanimacao tiveram 3 fases bem distintas, e estiveram pelo menos 10 pessoas envolvidas. A seguranca, finalmente, deu ordens para as hospedeiras de terra segurarem umas mantas na vertical dos dois lados do incidente. Correcto, mas apenas tornou o espectaculo mais escabroso. Continuava-se a ver os pes da vitima a oscilar ao ritmo da massagem cardiaca, e a ver os movimentos da equipa de reanimacao a tirar os instrumentos da mala. A situaca era delicada obviamente, mas a precisao e a frieza da ultima equipa a chegar ao local e que deixou uma estranha sensacao. Eficazes, sim, mas tornam todo aquele circo a coisa mais banal do mundo. Experiencia numa situacao destas significa que ja muitos por ali ficaram. E os milhares de passageiros que ali passam nem fazem ideia que alguns deles ficam pelo caminho. Uma coisa e certa: ao ver ao vivo e a cores este genero de situacoes, acabam-se logo os argumentos do tipo "ah e tal, eu prefiro viver a minha vida na boa, se quinar mais cedo, vou de barriga cheia e bemvivido". Nao vi ali ninguem a dizer ao americano gordo "Porreiro, curtiste a brava, assim e q e!" Tudo branco, estatico, laconico. Pela esquerda, apareceram 3 freiras, e mais tarde um padre, juntaram-se a um canto e comecaram a rezar em silencio. Eles bem que lutaram, mas aquele passageiro nao chegou a porta de embarque. Eu nao sabia, mas fiquei a saber da pior maneira, que no andar de baixo das malas da equipa de paramedicos existe um lencol branco.

Desmontado o arsenal, eu e os dois italianos, que me viram e vieram ter comigo, seguimos para a Orange. Para comecar mais uma semana de trabalho, com alto nivel de felicidade e motivacao.


Ja passou..... Passou?
Ao comentar o sucedido com os portugas da LaranjaElectronica, alguem disse que um dos segurancas velhotes da Orange tinha falecido de ataque cardiaco no seu posto de trabalho durante o fim de semana. Sem comentarios...

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Nao...

...nao abandonei o meu blog. Este holandes continua vivinho da Silva. Apenas nao me tem apetecido escrever. E o lado tecnico nao tem ajudado. Regresso iminente.

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Ville-Lumiere!


Sim, era Paris.

Motivo: os franceses que fizeram Erasmus comigo em Darmstadt reuniram-se em Paris para uma jantarada de recordacoes. Entao que estava la eu a fazer? Pois, eu sempre fui tratado como Frances Honorario, porque alguns meses depois de estarmos em pleno Erasmus ainda havia alguns colegas que acreditavam que eu era frances.
E assim foi: chegaram colegas de Hamburgo, Haia, Milao e Paris, para um jantar na Rue Mouffetard. Claro que os de Paris demoraram muito mais tempo a chegar, por causa do transito.
Depois da habitual hesitacao para a escolha do restaurante, pusemos as tagarelices em dia. Depressa percebemos que ha qqcoisa em comum: directamente ou indirectamente, muita gente trabalha para a industria aeronautica francesa, vulgo Airbus. Segundo ponto, ha uma certa tendencia para andarmos com raparigas estrangeiras. Os que me conhecem ja sabem a minha anterior tendencia para o bloco de leste. O colega de Hamburgo com 1,98m vai casar com uma brasileira, um dos parisienses tinha acabado de se casar com uma georgiana, e outro anda com uma chinesa... Isto so pode querer dizer uma coisa: as nacionais devem andar com estrangeiros! Isto e que e o verdadeiro intercambio cultural. Se calhar e por isso que o LePen tem tanto sucesso por terras gaulesas.
Raparigas aparte, Paris e sempre Paris. Sozinho ou acompanhado, regressar a Paris e -para mim- regressar a casa. So la morei um par de meses, mas tenho la muitas recordacoes. Ver a torre Eiffel e o arco do triunfo? Deixo isso para os americanos endinheirados e os parzinhos de apaixonados. Paris e mais que isso. Pelo menos para mim.
[Cenas dos proximos capitulos]

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

On the way to....

...uma cidade com 2 piramides, e que nao fica no Egipto!


Aqui fica o enigma. Cenas dos próximos capitulos na próxima Segunda-feira...

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Greve

Ca vou eu de manha, em passo pachorrento a caminho da paragem do Tram 9. La vejo um ao fundo... Correr? Para que... daqui a 5 minutos (literalmente) ha outro. Chego a paragem, e espero. 10 minutos passados, e nada. E so eu e outro gajo e que la estavamos. Ele agarra no telemovel, e passados 30 segundos diz em ingles: “nao ha trams, estao em greve”. As 9h da matina, tinha deixado de haver trams. E eu tinha ficado a olhar para o ultimo que passou antes da greve. Bom, toca de ir levantar dinheiro para apanhar um taxi, que aqui nao sao nada baratos. Pois e taxis? Ta de chuva. Entretanto aparece o Gustavo. “Greve? Qual greve? Ah...entao era isso que estava escrito naqueles papelinhos que eu vi ontem na paragem do tram....” Pois, e para estas alturas que da jeito saber holandes. Estava bom tempo, menos mal, e la fomos nos palminhar o caminho de Scheveningen ate a LaranjaElectronica. Meia hora a dar forte nos calcantes. Mas teve de ser, e por acaso, ate se fez bem. Pelo caminho, rogamos pragas a HTM, a carris ca do sitio, regalamos os olhos com as casas e os carros por onde passamos, um grupo de putos numa paragem perguntou-nos um numero de telefone de radiotaxis. Inocentes.... Mais a frente, acontecia a efemeride: alguem falou comigo em holandes, e eu percebi!!! Estavamos na Nieuwe Duinstraat, e ele tava a procura da Duinstraat normal. Pois, eu sabia que ja tinha passado por essa rua, so nao sabia de momento, onde era. Claro que lhe respondi em ingles, que ainda vai demorar uns bons meses ate eu conseguir dizer alguma coisa neste dialecto barbaro.

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

PC novo

Este PC caiu do ceu aos trambolhoes!
Pode ser um charuto comparado com o Vaio, mas permite-me ter um PC em casa e outra na LaranjaElectronica. E assim deixo de andar com mochila pra tras e para a frente. Comparado com o Vaio, isto parece um anao. O Vaio tem um ecran de 17’’,e este e um reles 14.1’’ Entao a nivel de resolucao, e a desgraca: 1280x800. Para quem se habituou a ter duas janelas de trabalho lado a lado no desktop, vai-se notar a diferenca. Mas a cavalo dado nao se olha o dente e nem tudo e mau. Este e um modelo recente, enquanto que o outro ja vai para 3 anos. Embora tenham a mesma frequencia de relogio, este novo bicho e um dual-core. Quem diria que o meu primeiro multiprocessador seria um portatil? Na realidade, fica ela por ela, porque o Vaio levou recentemente um upgrade e tem agora 2gigas de ram, e bomba nas horas. Pode ser um avozinho, mas e um avozinho com muito cabedal, e carregadinho de esteroides! E da uma surra em muitos dekstops que para aqui andam. Onde o bicho novo ganha e de facto no factor portabilidade: tem o tamanho de uma pagina A4, 3cms de grossura, e a bateria aguenta bem mais de 4h. Pelo menos enquanto e novo. E pobre no resto, mas por escolha do boss: 40 gb de disco, e uma placa grafica ranhosa. Conectividade wireless A,B e G, e –se o boss tivesse pedido, GSM/3G/HSPDA on-board. Reparei nisto quando ao tirar a bateria vi uma ranhura de um SIM card. Era bom demais. Ta ca a o sitio do SIM, mas o chip e a board nao. Pouco depois, descobri outra ranhura inusitada... E nao e que este bicho tem um leitor de smartcards out-of-the-box? Leitor de cartoes de memoria, nao, mas de smartcards, sim! Estes gajos sao malucos. E pela primeira vez na vida, tenho um cabo de fechadura kensington. Nao sei se me ira servir de muito, mas aqui esta.
Entretanto, o Vaio fica la em casa, no quentinho a fazer de mula o dia todo.

Vida nova

Como de repente a vida de uma pessoa pode mudar com simples detalhes... Em pouco menos de 3 dias, a minha vivencia na Holanda mudou radicalmente. Ora vejam os acontecimentos:
- ja tenho outra vez duche quente em casa
- ja tenho aquecimento central
- o meu telefone novo ja funga com o cartao holandes
- ja me deram um PC da empresa, pelo que deixo de carregar com 7 kilos de Vaio todos os dias as costas.
- ja tenho aspirador!
Ja so falta a scooter, e tou mesmo a jogar noutra dimensao! E mesmo essa, ja esta na calha: encontrei um anuncio de um garagem que tem uma Gilera Typhoon para venda. Pena ficar um pouco fora de mao. Se deito a mao a scooter, ai e q ninguem me agarra. Ate essa altura, e Tram-pra-la, Tram-pra-ca...Mas sem mochila de montanhista!

Festival do Chocolate

Chegados a Obidos, onde se esperava o pandemonio e o fim do mundo, segundo os mails que circularam entre o grupo de amigos, estava tudo calmo. As 6 da tarde, hora de ponta do evento, estacionamos a porta. Toca de reagrupar com o pessoal, que a hora de encontro combinada tinha sido 14h, e ja eram 18h. Voltinha rapida pelo recinto, debicar uns chocolatitos de borla, ver as exposicoes da praxe e comprar uma tshirt comemorativa do evento. Ah e claro, comer as castanhas assadas da praxe. Este ano, nem tivemos direito a nenhuma podre, e ainda nos deram umas de borla. Tambem, a 2€ a duzia, acho muito bem que assim seja. Pelo caminho, ainda provamos Mousse Inglesa –que para minha grande decepcao leva rum- e fondue de frutas frescas com chocolate de mentol. O contador de calorias a disparar, mas o pessoal a curtir bue. Ainda houve tempo para eu dar um canelada num pilarete de betao ninja, que se atravessou no meu caminho furtivamente, e me deixou uma nodoa negra que me vai acompanhar alegremente nas semanas seguintes.
Cafezada num barzinho tipico de Obidos, e relembrar o que e uma bica, coisa inexistente na Terra das Socas. Reunidos os ultimos elementos do grupo, seguiu a maralha toda em direccao a Foz do Arelho, para a janta. O spot predestinado era o Cafe Central. Tudo tinha um aspecto delicioso, mas quando se enfiava o dente, era a desgraca. Acho que o frango assado foi o unico prato que nao foi chacinado pela opiniao publica. Os bifes pareciam sola. Mas o bom humor e a boa onda tomaram conta do pessoal, gracas a nossa amiga sangria, e demos inicio as festividades. Next stop, um barzinho sobre a praia. Ai juntaram-se os ultimos elementos lisboetas que dizem “Ah e tal, isso fica tao longe...” mas depois quando se fala em copos tao la sempre caidos que nem um relogio suico. Sobretudo se forem baratos, e de certeza se forem a borla! Aquecidos etilicamente, rumamos a catedral da noite naquela zona, a Green Hill. O anfitriao era o Melao, mas isso nao interessava nada que ele tem tanto jeito para aquilo como eu para dancar ballet em pontas. O dj era quem de facto ali importava, e fez aquilo para o qual e pago: animar as hostes. Bom, as bailarinas tambem tem a sua quota-parte nessa questao. Ainda encontrei a minha amiga Lena-das-Caldas, Storm para os amigos, armada em baba de 3 sobrinhas. Ha um ano que nao metia os pes na Green Hill; ha bastante tempo que tinha deixado de visitar regularmente as Caldas da Rainha, va-se la saber porque... O espaco foi inteiramente renovado, agora muito mais moderno, embora o parque de estacionamento continue a bagunca do costume. O Sabado a noite na Green Hill enche sempre, e esta sempre ao rubro, mesmo de inverno. Ha um bar so de shots, chamado Laboratorio, e la em cima ha uma pista para as Salsas e a musica brasileira. Mas o prato forte e, e sera sempre a martelada de qualidade. Entre os barmen, caras conhecidas da noite lisboeta como o Alex e o Sota, do W e do Docks, entre outras... A noite foi ate as tantas, e nao fui dos ultimos a sair. O meu dia tinha sido eeeeeeeeeeeextra-longo, e ainda tinha de vir a conduzir para Lisboa. Se fosse apanhado pela bofia, tava lixado, nao fosse o balao acusar abuso de chocolate... :-)


Passagem em Hoofdorp

Segundo instrucoes do meu boss, ao vir do aeroporto passei pela sede da Altran, na cidade perto do aeroporto chamada Hoofdorp. Sem mala, apenas com um mini aspirador as costas, fui buscar o PC que a empresa me tinha atribuido. Na sede, tratei de umas papeladas com a secretaria chamada Josine, cujo o nome de familia me parece impossivel de pronunciar , e conheci o tipo que nos anda a instalar as maquinas. E um gajo novito, engravatado, recem-licenciado, porreiro. Eu ofereci-me para instalar a maquina eu proprio e ele agradeceu. Como ja e costume, julgava que tinha percebido que eu era portugues e nao frances. E la tive eu de debitar a historia da minha vida enquanto instalava o Microsoft Office. Depois ele foi almocar (pelo menos era o nome que ele lhe dava) e eu ainda consegui surripiar um cadinho de queijo brie do bom. Fiquei parvo quando ele me disse que tinha acabado o curso em HEC, a melhor escolha de gestao de Franca, e para onde eu proprio estive para ir. E ali estava ele, a instalar o Office em laptops ranhosos. “E so um estagio de 3 meses” disse ele com um sorriso, “para fazer curriculo no estrangeiro”. Ou ele tem muita razao, ou entao algo de errado se passa aqui. Mas pronto, nao tenho nada com isso, eu so ca vim ver a bola...
A saida, encontrei o gajo que me recrutou numa entrevista telefonica, o tal Yves de Beauregard. E o big-ultra-mega-boss da Altran Holanda, e nao deixa de ser um gajo porreiro. Mais velho que a media, tipo quarenta e poucos anos, mas muito jovial e comunicativo. Palavra puxa palavra, em frances obviamente, senao tudo pareceria um episodio do “Allo,allo”, e descobrimos que ha interesses coniventes entre os meus projectos anteriores e alguns da Altran NL. Ironias do destino! Quem diria que no meio de um bando de consultores engravatados, vinha a descobrir que ha interesse em fazer um video institucional na mais pura linha que a ETIC, a minha antiga escola de fotografia, estava habituada a produzir? Vamos abrir os canais de comunicacao, e ver o que e que isto da. Mesmo que fique em aguas de bacalhau, nao deixa de ser curioso o que um simples contacto informal pode gerar como oportunidades de negocio.

terça-feira, 14 de novembro de 2006

Meio fds

Sera que um dia hei de conseguir ir a Portugal sem que a viagem de um filme indiano? Desta vez nao foi excepcao. Consegui perder 3 avioes!
O caro leitor deve julgar que sou maluquinho, ou que tenho o relogio muito atrasado. Ou entao que tenho o relogio maluquinho, e sou muito atrasado, nunca se sabe. A tourada comecou na Sexta-feira quando devia apanhar o aviao da TAP das 19h, que me poe em Lisboa as 21h. O comboio que me devia levar ao aeroporto de Schiphol chegou 20 minutos atrasado a estacao de Haia, e em Leiden parou mais 20 minutos por questoes tecnicas. Aviao....baibai. Nao que o pessoal do handling que aqui representa a TAP tenha feito um grande esforco para me deixar embarcar, mas enfim...eu estava de facto atrasado. Tinha de apanhar o aviao das 7h da manha seguinte, que remedio.
La regresso eu a Haia, jantar no surinames com os tugas da LaranjaElectronica. Depois beber um verdadeiro expresso no Grote Markt, e rumar a casa. Surpresa minha, nao ha maneira de chegar ao aeroporto aquela hora; simplesmente nao ha trams a caminho das estacoes de comboio as 5h30 da manha. Portanto, sobrava apanhar o aviao d0 12h20. Desta vez, o comboio chegou a Leiden e ouve-se uma voz holandesa pelo altifalante a dizer qualquercoisa a ver com Schiphol. Versao Inglesa? Isso nao temos (o que e raro nesta terra, note-se). Eu meti o nariz de fora do quim-boio e vi tres hospedeiras da KLM, que se notam a milhas por serem altas, loiras e pooooooooooooodres de boas, como tambem a farda e de um azulao que da nas vistas a qualquer um. Obviamente, as hospedeiras ja estavam a trepar as paredes, e a mandar vir com os tipos da CP ca do sitio. Um deles dizia que era mais rapido chegar a Schiphol indo a Amsterdao Centraal e apanhar um comboio de volta. Outro dizia que mais valia esperar pelo regional que chegava dali a pouco tempo. Eu decidi ir atras das hospedeiras, e apanhei o regional. Como ja advinharam, nao consegui apanhar o aviao do 12h20, tambem por pouco. Sobrava o das 14h10, via Porto. Que remedio. Cheguei a lisboa as 17h05. No aviao, apanhei uma alema, engenheira quimica no departamento de patentes da Philips, que nao se calou a viagem toda. Ela ate deu umas ideias interessantes sobre a vida na holanda, mas nao me deixou pregar olho. E eu bem que precisava. No aeroporto de Lisboa, tinha o Comite de Recepcao a espera, e seguimos directos para Obidos, para o Festival do Chocolate...

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

Mais um Tuga

Enquanto estavamos em Praga, desembarcou mais um tuga em Haia: o Gustavo. Tinha sido colega do Miguel, e trabalhado com ele algures. Originario da covilha, rapidamente descobrimos que tinhamos conhecimentos em comum. Como nao podia deixar de ser, estava alojado em Bashuiskade 10, vulgarmente referido aqui como Hotel Bor. Por uma grande sorte, nao foi parar ao apartamento 5 que tem a casa de banho ca fora, e sim a um apartamento normal no res-do-chao. Benvindo Gustavo!

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

Fds no Praguistão

Como o caro leitor mais curioso já terá concerteza descoberto, o Hradcany é o castelo de Praga. No último fim-de-semana, 4 tugas renegados rumaram à capital da republica checa. Eu incluido. Tecnologia militar, dutch-style: entrada aérea no ultimo vôo da noite de sexta, e retirada estratégica no primeiro voo da manhã de Segunda. Ponto de aterragem, Hostal Aldivia, carinhosamente por mim apelidado de Hotel Endivia.
A equipa já trata o aeroporto de Schiphol por tu, mas desta vez tivemos de sair pelo terminal ao lado, para fora do espaço Schengen. Já faz muito tempo que não tinha um polícia mau a olhar para o meu BI durante 1 minuto a ver se pertenço à Al-Qaeda. Como este terminal serve bastante mais destinos longinquos que o habitual, as lojas são também maiores. Grandes, mas meeeeeeesmo mesmo mesmo grandes, e os preços, mais baratos. Na porta de embarque, o resto da equipa estranhou a força com que eu faço disparar os detectores de metais, prontamente seguido de uma minuciosa revista manual. A Tânia, o elemento que fala português colorido (se a chamarem de brasileira, têm a vida a prémio, estão avisados), ficou surpreendida com a eficácia dos agentes que revistam os maltrapilhos tipo eu: “Ai korror, eles tocam mesmo!” Todos nós sabemos que qualquer homem saudável anda com uma arma carregada por debaixo da breguilha, mas no caso concreto eles so querem saber se por acaso não traz também um brinde tipo explosivo. Eu já estou habituado, depois das vezes que passei em Frankfurt, e na semana passada foi a vez da Mafalda ficar surpreendida com o tipo de revista que me fizeram; quem vir a naturalidade com que encaro a situação deve julgar que eu gosto de ser apalpado dos pés à cabeça por um gajo mal-encarado e com luvas de borracha. Ainda estão eles a perguntar se podem revistar já estou eu de braços atrás da cabeça e de pés separados…
O avião era da Czech Airlines, um boeing recente, com uma tripulação que ficava aquém das expectativas que se geram quando vamos ter hospedeiras checas pela frente. Uns belos cabides, e uma delas com nariz de abre latas. E a chefe de cabine tinha idade para ser minha avó. Num vôo de 1h10m, tivemos direito À bela da sandocha de salpicão, e já não foi nada mau. Cafézinho com chocolatinho, e tamos a aterrar. Depois do que tinha acontecido na Segunda-feira passada, esta foi veludo. Sair do avião: um briol de caramelizar. O avião ficou num stand de manga, mas saimos para o Tó Carro, por alguma razão que me escapou. No terminal, salamaleques a que já não estou habituado: trocar dinheiro! É nestas alturas que me apetece dar um beijinho ao caramelo que inventou o Euro; como seria de esperar, ao trocar a guita no aeroporto fomos roubados À grande e à francesa – checa neste caso- e a coroa checa que deveria ter um cambio de 27,5, ficou-nos a 25. Mas pronto, soma e segue. Lá fora deveria tar um taxista com um poster com o meu nome escarrapachado: não tava. O Miguel aproveitou para ir ver se multibanco lá do sítio pingava alguma coisa, e de facto, pingou. Quando voltamos, estava de facto um gajo à nossa espera. Lá o seguimos, tentando falar inglês com ele…. Inglês não falava. Mas alemão, a lingua estrangeira da zona, era sempre a abrir. Lá tive eu a fazer conversa da treta em teutónico enferrujado. Temperatura: zero graus. Distância à cidade: meia-hora. Quando chegámos ao spot, ele mostrou o papel, onde dizia 750CZK. Dei-lhe 750, e ele devolveu-me 200. Acho que sim, gosto deste pais… Andamos 20 metros, e ele veio a correr atrás de nós a dizer que se tinha enganado. Eu bem tinha dito, mas ele não acreditou…. E chegamos ao Hotel Endivia. Que mais valia chamar-se Repolho. Literalmente um buraco ao lado de uma casa de strip. Que era mau, já nós suspeitavamos. Depois de uma conversa lirica com a senhora da recepção, lá fomos nós para o quarto. Tinhamos encomendado um quarto de 4 camas com WC privado. Estavam lá 6. Ao ver a casa de banho, ou pelo menos aquilo que servia como tal, descobrimos que a 2ª porta dava para o hall….e abria! Bom, mas dava para trancar. A Tânia ainda conseguiu descobrir que estavam bocados de tecto….no chão. As camas eram duras como a pedra, e os lencois em versão reduzida. Mas ao menos estavam limpos. Depois do choque inicial, foi escolher as camas, e sair para jantar. O Hotel Endivia fica muito perto do centro turistico de Praga, o relógio astrologico, pelo que até chegarmos a qualquer sítio de jeito, já tinhamos passado por 4 sitios referenciados no guia turistico. Era tarde, e embora a maior parte dos restaurantes ainda tivesse gente, a cozinha já estava encerrada. Comecei a reconhecer sitios onde tinha estado 5 anos antes. Solução: as tavarnas, vulgo pubs, onde dá para trincar umas coisas. Lá encontrámos um, perdido numa viela, com aspecto de antro de estudantes Erasmus. A senhora falava checo e um inglês muito, mas muito, manhoso. Perguntei de onde ela era, e afinal era da Georgia. Pois, o meu russo ainda não se encontra na melhor forma para encomendar paparoca. Numeros e cores ainda la vai, mas pedir um bife com batatas fritas ainda não se encontra no meu kit de cirilico. Lá fomos encomendando paparoca aos apalpoes, e apanhamos umas panquecas com sabor a tosta mista que mereceram aplausos por unanimidade e aclamação e tiveram direito a bis. Uns bolinhos recheados de carne que tinha um aspecto deploravel de comida japonesa mostraram que afinal o aspecto não é tudo. Para terminar, um café….que estragou tudo. De facto, estes tipos não dominam a arte do café, Kava no linguajar local. Entretanto a Ana Chucha foi à casa de banho, e veio um pouco… como dizer… alterada. Estava com umas tonalidades entre o malva avermelhado e roxo esbranquiçado. Tinha tido um encontro imediato do 3º grau com um roedor no cubiculo da casa de banho. Pela descrição, depois de fechar a porta do cubiculo reparou que estava uma ratazana a querer sair (pela noção de tamanhos da Ana, o dito cujo deveria ter cerca de 4cms de comprimentos quando se espreguiçava) e ela tentou abrir a porta ao pontapé. Coisa esperta, tentar abrir assim uma porta que se acabou de trancar. Se fosse eu, seria um hooligan destruidor da propriedade alheia; como era uma ana, tratava-se de uma donzela em apuros. Mundo Cruel. Depois de vir até e de nos descrever a cena, onde tivemos a ocasião de lhe explicar que não se devia entrar numa casa de banho já ocupada, fomos arejar. Cá fora, estava a nevar, ao de leve. E seguimos em direcção à Ponte do Carlinhos (Karlov Most no original) onde se encontra facilmente actividade nocturna.
Não demoramos muito tempo e deparamos com uma das discotecas que vinha referencia na nossa prévia pesquisa de locais de decadência nocturna: esta era a maior discoteca da Europa Central. E entramos. 5 pisos, uma entrada de 5 euros, caipirinhas a 3 euros, e vestiário à pala. Condiçoes que metem 90% dos sitios onde já estive num chinelo. Cada um dos pisos tem o seu estilode musica, e há para todos os gostos. A que estava a abarrotar era o piso dos Oldies, onde se concentravam nativos e estrangeiros. Eu e o Miguel percebemos rapidamente que aquilo era mais um aeroporto que uma discoteca; os aviões passavam a um ritmo alucinante. Já os gajos, segundo as nossas colegas de viagem, não são nada de jeito. Mas também deu para perceber que aquilo começa a ficar cheio de ingleses arruaceiros, que estragam o ambiente com grande facilidade. Como o dia tinha sido longo, e com uma viagem em cima do pêlo, metemos os calcantes a caminho do hotel. Tudo a pé, claro. E demos ao serrote desalmadamente até de manhã.

Praha - Day 1

Acordar, tomar banho, dizer mal do hotel e sair para pequeno-almoço. O Repolho fica na Melantrichova, e na direcção oposta à do centro fica uma feirinha muito na onda dos mercados de natal dos alemães. Claro que as raparigas demoraram meiahora a fazer os 100 metros de bugigangas, e depois descobrimos um café com grande aspecto que servia paparoca. Pequeno-almoço? Ao meio-dia já estava fechado para balanço. Fizemos um brunch com capuccino, crepe de espinafres, baguettes de salpicao, sumo de laranja natural, bolo de framboesa, e tudo o mais que nos passou pela telha. E pelo buxo. Durante a paparoca, deu para perceber que aquilo à noite virava discoteca. Respostas as calorias, toca de sirandar pela cidade. As eternas discussões de e para onde é que se vai a seguir. Como já conhecia Praga, deixei que os meus colegas de viagem decidissem o que se lhes aprouvesse. Por mim, sei que Praga-centro é bonita e tem coisas para ver em qualquer direcção e em qualquer sítio. Falhar? Impossivel. Perdermo-nos foi de facto a palavra de ordem naquele dia, e varremos os pontos interessantes da cidade sem saber ler nem escrever. A praça central, o museum nacional, o edificio dançante do Frank O. Gehry, e finalmente a Ponte do Carlinhos, ponto alto de Praga. Desta vez consegui ver o Santo Antonio: da outra vez, o maroto teve vergonha de mim, e escondeu-se atrás de um tapume a dizer que estava em restauração.Reles! E depois ainda dizem que os portugueses se ajudam no estrangeiro!
Depois da ponte, tempo para um cafézinho como deve ser –italiano, portanto- e toca a subir para Hradcany. Às 4 da tarde, começa a noite a cair. Em caminho, vi um museu da Farmácia, que diz questão de visitar enquanto os meus compagnos de route viam as t-shirts nas lojas em volta. Comparados com outras coisas parecidaa que já vi em museus da farmácia, este era um lixo. Por exemplo, no de Heidelberg encontrei um supositório de 20 cms. Só não percebi o que é que aquilo era suposto curar…
No Hradcany propriamente dito, foi sessão fotográfica. Embora já lá tivesse estado, a noite dá um outro ambiente ao castelo. Iluminado e perfeitamente visitável, ainda tivemos a ocasiao de assistir ao render da guarda para o turno da noite. Pouco profissionais, os guardas que trocaram miudos quando se cruzaram. O comandante da guarda topou, e depois da cerimónia foi la mandar-lhes um raspanete dos grandes. A catedral de S.Vito, dentro do castelo é –em qualquer parte do mundo- imponente, e iluminada ganha uma outra dimensão. Seguindo o Hradcany, mais umas quantas igrejas e monumentos, não fomos ao lado que encena a vida medieval, e descemos pelo outro lado do castelo. Regresso a casa, meter os ossos no sitio e dormir uma soneca. Pelo GPS, só do Hradcany a casa tinham sido 4 kms.
Soneca tirada, e trajes de noite envergados, fomos à caça de jantar. Local: praça do relogio astrologico, restaurante tipico. Tava na hora de comer as famosas bolas de sabe-se-lá-o-quê tipo puré, goulash, e o resto da tralha deles. Saimos do restaurante decorado à la cervejaria medieval a rebolar. Passear por praga à noite é de facto divinal, não importa o frio. Imperam os monumentos em pedra negra, decorados com vários estilos, e finalmente iluminados como deve ser. Se tiver um ligeiro nevoeiro, um gajo precisa de fraldas, mas aí é que Praga ganha todo o seu esplendor e aquela patine dos filmes de terror do século passado. Ruas estreitas alternam com amplas praças, e monumentos góticos colocam-se ao lado de edificios Arte Deco. E Praga respira de vida durante a noite; as lojas fecham tarde, e as pessoas – turistas e nativos vêm pra rua. Esplandas não faltam, apesar do frio.
Hora de encontrar novo antro de diversão nocturna; seguindo a dica do irmão da Ana, rumámos ao Duplex. Entrada bastante mais cara, e os rapazes pagavam o triplo das raparigas: 300czk para eles, e 100czk para elas. Lá dentro, ao mais puro estilo Stefan Braun (ver Aventuras em Belgrado) um elevador levanos directamente à Penthouse, onde se tem uma vista sobre a cidade. Mas quando se está num aeroporto cheio de concordes, quem é que consegue olhar para os edificios do outro lado da rua? Acho que uma imagem vale mais que mil palavras, e vou deixar o leitor ver por si próprio qual o conteudo da Duplex. Por mim, já tenho consulta marcada no oftalmologista, porque sai de lá com os olhos tortos…
Por razoes já antes explicadas, as raparigas bateram em retirada bem antes de nós. A alternância de DJs era compativel com os torcicolos que iamos ganhando. Ao mais puro estilo encavacado do portuga das berças ficamos impassiveis no nosso canto, a ver a acção acontecer diante dos nossos olhos. Tivessemos um quebra-gelos na equipa, e o jogo seria diferente. A custo, conseguimos meter conversa com uma…espanhola. Bem simpatica por sinal, mas tira um pouco o sentido da coisa, não é. Tou a ver que isto requer é prática. E afinal, Praga faz juz ao seu nome. Ainda antes de sairmos descobrimos uns portugas que estavam lá estacionados em Erasmus, facilmente reconheciveis pela t-shirt da Semente que envergavam. Como em qualquer lado do mundo, quem varre sempre as pistas de dança no final da noite são os portugueses, espanhois e italianos. Latin-power! Aqui não é excepção, e pelos vistos vai continuar a ser por muito tempo. Ensopados até ao osso de tanto pular, ainda houve tempo para uma salsicha na roulotte sem rodas ali da esquina, e depois rumámos ao Hotel Endivia. Cama dura? Um mimo!


Praha – day 2

Depois da noitada, dormimos o sono dos justos. Claro que de manha as raparigas estavam de pe, frescas que nem uma alface, e nos todos podres. Normal. Elas iam tomar o pequeno-almoco, enquanto repunhamos o stock de roncos. Eu la consegui abrir uma pestana, e como tinha ficado com os crepes do dia anterior debaixo de olho, vesti-me em 3 tempos e arrastei-me porta fora com elas. No spot, o Vertigo, a mesma empregada do dia anterior la nos trouxe os almejados pequenos-almocos. De facto, Praga tem muitas coisas boas, mas pao nao e uma delas. Nem a imitacao de baguette e uma boa imitacao. Repostas as calorias, tudo fotografado pela Tania, voltamos ao quarto. O plano de ataque era as meninas irem a caca de bugigangas, enquanto eu fazia companhia ao Miguel no campeonato praguense de roncos. Quando la chegamos, ele ja tinha tomado banho, e foi as compras com elas. Afinal, foi uma mudanca de turno. Compras de bugigangas nao e pra mim de facto. Ainda para mais, as bugigangas de Praga tendem a ser todas iguais, ao longo de toda a cidade. No regresso do grupo das compras, elas largaram as tralhas, e retomamos o modo turista. E la fomos nos cirandar pela cidade.

Objectivo: bairro Judeu. Quem lesse o guia turistico e nao conhecesse Praga, diria que o bairro ficava a milhas de tudo o que era civilizacao. Na pratica....fica a 500m do Relogio Astrologico. Ao contrario do habitual, pagamos um bilhete que nos custou o cu e tres tostoes, para ver 2 sinagogas, e um museu. Cenas fixes, pena nao lermos hebreu. Em particular um “manual para jovens judias educadas na Alemanha”, do principio do seculo, que tinha uma pagina em alemao, e a do lado com a traducao em hebreu. Candelabros de 9 bracos, e nao 7, como seria de esperar. E uma explicacao do calendario Judeu, que afina pela luas, e cada X anos, tem um mes extra para ficar equilibrado com o nosso. Sistema curioso. No museu, nao podia faltar os objectos e as alusoes ao Holocausto, e sao de facto de arrepiar. Ai estava uma coisa que de facto e uma raridade: o simbolo da Policia Judia. Eram os judeus que se passaram para o lado dos alemaes quando os guetos foram criados, e que faziam o controlo dos seus, em troco de umas poucas regalias. Para terminar “em beleza”, esta a exposicao dos desenhos das criancas judias que estiveram nos campos de concentracao.
O ponto alto do Bairro Judeu de Praga (Josefov, para os amigos) e o Cemiterio Judeu, que esteve em funcionamento durante seculos ate aos anos 80. E, no entanto, nao e maior do que o quintal de uma vivenda de um qualquer politico portugues. Na entrada, esta a Velha Sinagoga, onde se encontram pintados nas paredes todos os nomes daqueles que ali foram enterrados. Junto ao altar, nao sei se sera o nome tecnico daquilo, estao escritos de cada lado os nomes dos campos de concentracao da II guerra mundial para onde foram enviados os Judeus de Praga. Notei a falta de um: Auschwitz, o mais famoso deles todos, e que se tornou um simbolo entre os simbolos por ter um portico de ferro com a inscricao “Arbeit mach frei”, ou seja, “o trabalho traz a liberdade”.
O cemiterio em si e em tudo diferente dos nossos. Nada de regular. Lapides recentes esta a escassos centimetros de outras com centenas de anos. Mas de facto o local respira historia, respeito, imponencia. E no entanto, nao passa de um jardim de pedras.

Depois do Cemiterio Judeu, resolvemos reatestar o deposito de combustivel. O Miguel, coitado, nem o pequeno-almoco tinha ainda tomado, e ja iamos a meio da tarde. Padroes holandeses, claro. Dado o sitio onde Praga fica, nesta altura do ano anoitece entre as 4 e as 5 da tarde. E por muito deslocados que estejam, os tugas estranham sempre a falta do solinho.
Local escolhido, um tasquimbo bem checo. Claro que depois escolher a comida foi o belo e o bonito. Eu e a Ana alinhamos pelo Schnitzel, vulgo bife de frango panado de origem alema e austriaca, que nos fazia crescer agua na boca desde que chegamos. Os outros foram para pratos mais normais. Mas a tourada foi escolher os acompanhamentos: o tipico da zona e uma especia de bolas, que tanto podem ser tipo pao como tipo pure de batata compacto. Eu e a Ana pedimos bolas “todos-os-cereais”. A segunda dentada ja tinha desistido das bolas porque sao de facto muito secas. Sao feitas para se por um monte de molho em si, o que nao vai muito ao encontro dos habitos e gostos portugueses. Ta visto, Ana e bolas checas, nao foram feitos um para o outro. Inversamente, o schnitzel foi um sucesso de bilheteira, e tinha o tamanho de uma prancha de surf. A meio, ja a Ana tinha encostado a box. O Miguel que tinha tido meio azar na quantidade do prato que tinha encomendado, lapidou o que sobrava. Eu, acabei o meu, e ja assim sai dali a rebolar. Estava de facto muito bom, o Schnitzel.
Regresso ao centro da cidade, ja a anoitecer, e ver mais umas quantas feiras de artesaos pelos caminho. A Ana finalmente comprou o seu gorro russo de pele, e a Tania comprou um gorro que parece saido da serra da estrela, mas com 2 trancinhas. Acho que as imagens dizem tudo. Objectivo seguinte: museu da tortura. Como se ter gramado com chuva em cima a tarde toda nao fosse suficiente. Esmaga dali, corta dali, espeta acoli, nao ha muito mais a esperar de um Museu da Tortura. Achei foi curioso o numero de instrumentos que se referem ao conceito de sogra: “sapatos de sogra”, “Lingua de sogra”, “cadeira da sogra” eram tudo objectos patentes na exposicao. Por alguma razao sera! Afinal, concentram-se ali centenas de anos de conhecimentos sadicos. Nao de sogras, gracas a deus...

Hora do lanche, e nos todos partidos, que isto de ser turista da cabo do corpinho. Entramos numa loja de crepes e gelados, e encomendamos uma misturangada de crepes com frutas frescas, chantilly, gelado, e todos os acompanhementos do costume. O servico era 5 estrelas: so nos faltou levarmos com o prato na cabeca. Sorriso? Deviam estar esgotados porque nao vimos sequer a cor dos dentes de nenhuma das empregadas. Pagar? Dirijam-se ao balcao, para ajudar a queimar as calorias que acabaram de meter ao buxo. Por um milagre, a conta bateu certinho com as moedas checas que tinhamos, despachando assim as ultimas coroas inuteis a quem mora no estrangeiro. Embora ainda nao fosse muito tarde, tavamos todos podres e rumamos ao Hotel Endivia. Sem muito sono, o pessoal divertiu-se a tirar fotos uns aos outros em plena accao de almofada. A preto e branco, com flash, sem flash, a cores, com foco manual, com foco automatico. Nada de jeito como seria de prever. Tambem nao tardava muito tavamos a dormir...antes da meia noite! E o principio do fim. Estamos de facto condenados.

4h da manha, alvorada. Tomar banho, fechar as malas, entregar as chaves ao Quasimodo que servia de porteiro da noite, e esperar pelo Taxi que tinhamos encomendado no dia anterior. Um quarto de hora depois, nada de taxi. La nos metemos nos a caminho do centro, onde interceptamos um velhote que nos levou ao aeroporto ainda mais barato do que o taxi reservado. Fixe!
No aeroporto, a fila de seguranca estava um caos. Viemos a descobrir mais tarde que tinham logo naquele dia colocado em pratica um novo regulamento de seguranca que limita os liquidos na bagagem de mao. La ficou o meu gel de banho e o meu desodorizante racing. Chegamos res-ves ao aviao, e ainda tivemos de esperar por mais uns atrasados. Claro que o voo atrasou mesmo, e como pequeno almoco, tivemos direito a bela sandocha de salpicao com pickles. Chegados a Schiphol, aterramos normalmente, coisa rara ultimamente, e rumamos em direccao a Laranja Electronica. Pelo caminho, ainda houve tempo para repor umas horas de sono em dia. Chegados saos e salvos da nossa aventura checa, toca de picar, que afinal este ja era um dia de trabalho!

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

On the way to Hradcany


Aqui fica o enigma. Cenas dos próximos capitulos na próxima Segunda-feira...

In Memoriam Orange Beach Cruiser


Hoje estou de luto. A minha Orange Beach Cruiser foi roubada. O ladrão há-de ficar surdo com a chinfrineira que aquilo fazia. Ficam as inúmeras histórias passadas, e uma dentição intocada.

quinta-feira, 2 de novembro de 2006

Não há condições...


Com publicidades destas nas paragens do tram, quem é que vai querer andar de bicicleta?!?

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

Regresso atribulado/mais uma vez

Por esta altura, já o caro leitor se encontra a bocejar: "este gajo arranja sempre uns filmes da treta quando regressa à Holanda". Pois, mas hoje só não se escreveu o epitáfio neste blog porque não calhou.
Como se não bastasse o facto de ter de apanhar um voo que sai de Lx às 7h45 da manhã, comer sandochas manhosas da TAP (a Transportadora Aérea dos Pobres, para quem não sabe)aquecidas a martelo, e acompanhar um café que mais faz lembrar chá de camomila, a aterragem em Schiphol foi agreste, muito agreste. Não tendo havido nem muitos ruídos estranhos, nem excepcional turbulência durante o voo, e muito menos mau tempo na chegada a Amsterdão, foi com enorme estranhar que muita gente começou a rezar pelas alminhas. Na aproximação à pista, o avião bate com toda a força, e sentimos os reactores a voltar a acelerar e a tornar a subir. Ouviram-se gritos em todas as notas da escala. A luso-Orangette que vinha ao meu lado, e que passou grande parte do vôo a dormir, ficou roxa, e italo-Orangette que tinha também vindo passar o fds a Lisboa cravou-me as unhas na perna, quase abrindo buracos. Essa tem a mania de andar a dizer "vuolo morrire"... mas quando foram elas, ficou caladinha e nem soltou um pio. Apenas mudou de cor, para um tom ligeiramente mais claro. Com o avião de novo acima das nuvens, o Comandante lá nos dirigiu a palavra; "por uma pequena falha tecnica, tivemos de abortar a aterragem, e voltaremos a aterrar dentro de 5 minutos". Claro que por esta altura, eu já ouvia rezar em 7 linguas diferentes. A segunda aterragem foi normalissima, mas toda a gente bateu palmas e respirou de alivio. Coisa rara, a sair da pista até à manga ninguém tugiu nem mugiu. Já estavamos parados na manga e metade do pessoal a tirar as coisas das bagageiras quando a voz off disse que tinhamos que permanecer sentados. Assim que se calou, levámos um abanão que andou tudo de lado. Toda a gente se sentou em 2 segundos. E finalmente, lá saimos do avião. Não sei porque razão, houve uma enchente da casa de banho em frente à porta de embarque. :-)
Depois, foi o lufa-lufa do costume: ir para a Orange, em que a novidade consistiu em ir num comboio internacional de Schiphol até Haia. Chegados, foi a vez de correr para a cantina, alarvar uma salada no tempo que muita gente não fuma um cigarro, e martelar o resto da tarde que nem um desalmado. Quem salvou o dia foi a AnaChucha, que tinha vindo tambem de Portugal carregada com um monton de Pasteis de Belem, que ofereceu ao pessoal às 16h. A biiiiiiiiiiiica, faltou a porra da bica, bolas! Mas que soube que nem ginjas, isso soube!

FDS em Portugal - versão lusco-fusco.

Este fds havia uma efeméride em pt: a minha amiga Sofia -vulgo Afia- casava. Sábado de manhã, nada de grave, mas em Felgueiras, a cerca de 370 kilometros de Lisboa. Com o vôo a chegar às 21h (supostamente) à portela, o caminho avizinhava-se longo. Altura de reunir o estado-maior. Qual mafioso treinado, tudo se resolveu na sala das chegadas. Estava lá um amigo meu para levar o fiel companheiro de teclas, ou seja o Vaio, a fazer um upgrade de RAM no sabado de manhã, um outro gajo que me ia fornecer um brinquedo novo, o Nokia N80, e alguém que vinha trazer o carro previamente atulhado com as farpelas de cerimónia, tipo blazer sapatos e afins. Claro, o vôo tinha de atrasar aos magotes. Devo ter chegado 45 minutos mais tarde que o previsto, e ainda tive de esperar pela mala. Mas ficou tudo despachado como previsto. E lá segui caminho rumo ao norte pela A1. Chegada ao destino à 1h da manhã, hora local. Num só dia consegui andar de bicla, tram, comboio, avião e carro. Só faltou o belo do cacilheiro! Todo podre, mas cheguei.

Dia de cerimonia, o suplicio de ter de visto fato, gravata, sapatos normais... O casamento, 5 estrelas, foi repleto de surpresas. Uma actuação de um dos elementos nortenhos do Levanta-te e Ri, fogo de artificio, comida em condições e uns chocolatinhos de brinde fizeram uma festa 5 estrelas. Eu é que começo a acusar o peso de 5 semanas de Holanda: meti o chip português, e comi que nem um alarve. Claro que fiquei mal disposto, portanto nem consegui assistir ao fim da actuação de standup comedy, e tive de ir apanhar ar. Isto de facto de andar a comer kit sandocha semanas a fio começa a ter o seu preço. Depois ganhei balanço, e ainda consegui marcar presença na ceia.
Calor brutal, tava eu a assar dentro do fato de cerimonia, fez me lembrar que Portugal é um jardim à beira-mar plantado. E onde se come bem. No regresso, ainda a deitar comida pelas orelhas, veio o ar condicionado sempre ligado. Tarde de domingo para repor as horas de sono em dia, e dar um saltinho ao ginásio, onde levei uma surra de ombros q chega para uma semana. À noite, "tentar" ir ao cup&cino de carnaxide que entretanto fechou. Ficamos a conhecer -por arrastamento- o centro comercial Dolce Vita ali perto. Centro Comercial, eu já nem sabia que era isso. Sobretudo sem ter 7 kilos de portátil às costas.

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Der Pater

Quinta-feira, dia de compras. Era suposto ir a Scheveningen ver um espectáculo de luz e cor e efeitos especiais -desta vez, um mesmo a serio- mas à ultima da hora ficou tudo em águas de bacalhau, porque quem ia já lá estava quando me avisou. Eu ainda estava no centro, depois das compras, e sem jantar, pelo que ter de pedalar 10 minutos e chegar atrasado e esganado de fome não uma perspectiva muito agradável. Então liguei aos outros renegados, jantámos pelo centro e fomos, como de costume, beber um copo ao Grote Markt. Ainda tive tempo para ir de tram a casa, largar a mochila com o PC, e as compras, meter uma tshirt seca, e voltar pra guerra do copo. No já costumeiro Zwarte Ruiter, re-encontrei os outros tugas, aos quais se juntou outro portuga que eu ainda não conhecia. Ele tinha trabalhado na Orange, e estava agora na T-Mobile NL. Ao contrário de nós, era engenheiro de rádio, e já cá estava a viver há algum tempo. Boa onda, bebeu uns canecos connosco, e depois convenceu-nos a ir a um bar chamado Der Pater. No Grote Markt, estava tudo a abarrotar de pessoal mais novo, que esta semana eram férias escolares, e Quinta-feira é tipicamente Noite do Estudante. Ainda deu pra ver um magote de raparigas de todos os tamanhos feitios e cores, e uma ternurenta cena de adolescentes em que uma rapariga timidamente roubava de raspão um beijinho ...a outra rapariga. Mas porque é que eu ainda reparo? Isto é a Holanda!

A caminho do El Pater, ficou provado que o novo elemento do nosso grupo só podia ser boa onda: faz-se deslocar em Orange Beach Cruiser. E sem efeito ambulancia, como a minha! A coisa ficou mais estranha quando começamos a entrar pelas ruas de vielas de Haia profunda. Finalmente, numa rua onde não cabia um carro nem de lado, ficamos à porta de um bar com aspecto de taberna. "Ah e tal, é fixe...Se não gostarem, bebem um a cerveja e vamos a outro lado!" disse o nosso cicerone. Bom, aqui vai disto. Lá dentro, fumo e paredes escuras. Os clientes (também conhecidos como bêbados e emborcadores de cerveja) eram pouco loiros. Lá dentro, é que nos explicou que por ali paravam muito espanhóis e latinos em geral. De facto, os linguajares latinos começavam a tornar-se nitidos, assim como feições familiares. A música -coisa estranha para um bar com decoração de taberna medieval- era cubana. Muita salsa. Dos poucos elementos nativos presentes, ou seja, Holandeses, deu para perceber que eles não têm 2 pés esquerdos como a maioria dos portugueses, nos quais eu me incluo: têm 3. São de facto pé de chumbo. A banda era bastante boa, sobretudo porque tinha um grande numero de cubanos. Apenas um loiro grande tocava uma corneta com teclado de piano, e o tipo da percussão também parecia aqui da zona. De resto, salsa com fartura!
Do outro lado da sala, uma loirinha apontou para nós. Dado o nosso aspecto de aliens, nada de anormal. Bom, ali os aliens eram elas. O Miguel comentou que tambem a conhecia de qualquer lado. E ficaram todos a olhar uns para os outros durante largos minutos. Um de nós, encheu-se de coragem, ou de cerveja, e foi lá: "olha lá...este meu amigo meu diz que te conhece. E tu? Conheces o gajo? Sim, trabalhamos juntos..." E pronto, tava quebrado o gelo, embora com aquilo que seriam considerado normalmente uma clássica frase de engate à trolha... Eles, de facto, tinham trabalhado no mesmo sitio e já se conheciam de vista. Seguiu-se a apresentação dos grupos... Elas faziam um par sui-generis: uma, a loira chamada Eva, podia ser sueca. A outra, Aaronette, preta com rastas (ou corn-rows, mais precisamente) tinha um penteado e uma cara que a poderiam facilmente colocar no final "O Predador". Eu perguntei se eram holandesas..."Ah sim, absolutamente. Do mais holandês que há." Claro, como é que eu não percebi isso logo à primeira. Depois de umas largas cervejas (Bitter Lemons no meu caso) lá fomos nós para casa. Desta vez, trouxe a bicicleta, portanto não houve o filme do NachtBus/troco/taxi. Foi agarrar na OrangeMobile e zarpar noite fora pelo meio dos bosques a caminho de casa. Como previsto, a OBC foi afinada Manuel-style, e estava um palmo mais alta. A caminho de casa, ainda passei pela shell e enchi os pneus que tavam meio vazios. Ainda faz um chinfrim de acordar mortos, mas eu suo metade com a nova afinação, e ando ao dobro da velocidade. Bom, agora qd travo, sou obrigado a saltar do selim, mas é uma questão de hábito. Se não houver chuva, andar de biclar é de facto muito eficaz. Debiam implementar isto no deserto do Sahara.

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Mais tugas

Ontem fui jantar com outro grupo de tugas aqui de Haia. Conheci um deles, nome de codigo Jinx, no forum de bodybuilding que costumo visitar, o www.bodybuilding-pt.com . Acasos do destino, viemos os dois parar a Haia; melhor ainda, moramos os dois em Scheveningen, a Cascais cá do sitio. Go figure. Jinx e sus muchachos estão cá há bem mais tempo, a trabalhar para a Siemens. O nivel de vida deles é bem superior ao pessoal da LaranjaElectronica, quanto mais não seja porque lhes dão carro. Os carros aqui na Holanda são tão caros como em Portugal, portanto a Siemens aluga-lhes um carro diferente a cada dois meses....vindo da Alemanha. Mas tambem, diga-se em abono da verdade, eles devem dar bem mais o litro que o pessoal da LaranjaElectrónica. Lá nos encontramos junto ao Kurhaus, o rossio em versão Scheveningen, e fomos ao Santos, o restaurante argentino. Deixamos lá 30 euros, mas -caneco- comemos um belo de um bife. Coisa rara por estas bandas. Encontrar comida digna desse nome na Holanda é uma proeza. E quando se encontra é sem duvida, estrangeira. Com a carteira bem mais leve, mas com a barriga bem mais aconchegada, demos um salto até a uma coffeeshop, onde um dos elementos aproveito para recarregar a "cartucheira". Aproveitei para dar uma vista de olhos ao menu; nada de especial. Metade já eu tinha cultivado, a outra, já conhecia. Tenho de ir a sitios mais hardcore para ver se vejo alguma especie mais exótica.
Depois vim para casa, onde continuo a minha demanda por um aquecimento que aqueça, e um frigorifico que arrefeça, o que me obriga a aquecer o meu estudio cozinha-sala-quarto a golpes de forno. Forno? Sim, aquilo que geralmente o comum dos solteiros usa para cozer as pizzas congeladas. Como se usa para aquecer uma casa? Simples, abre-se a porta, e deixa-se aquilo liga a 30 caroços. Para todos os efeitos, aquilo são 2 resistencias electricas a debitar 2000W de calor. Ok, nem tudo são rosas porque fica no ar um subtil cheiro aos cozinhados esturricados do locatário anterior, mas ao menos isto aquece.
Durante o dia bem tento ligar para o senhorio que não fala, ou finge que não fala, um inglês decente. As conversas ao telefone deviam ser gravadas. Mas já o apanho à esquina. Se isto não desempanca depressa fica a ver navios com a guita do apartamento. Então a porta faz um barulho de turbina de avião, e ele tem o desplante de dizer que a culpa é do prédio? Como tou desde o fds passado sem duche quente em casa, comecei à procura de opções. Como vou bastante ao ginásio, não tem havido crise. Ainda assim, descobri hoje que a Orange tem nas catacumbas uma casa de banho com um duche. Ouro sobre azul! Assim excuso de ir para o ginásio às 7 da matola, feito holandêsrastejante, e tomo banho depois de dar -literalemente- ao pedal.
Por falar em pedal, há que mencionar que a ida matinal para a LaranjaElectrónica é de facto magnifica, ao longo de um parque com um canal, patinhos, etc... E sem carros, com o sol a nascer de frente. Se eu não tivesse de pedalar e se a OrangeBeachCruiser não fizesse o chinfrim costumeiro, seria perfeito. Ainda hei de filmar o passeio e postar por aqui. Ou melhor, no YouTube, que é agora o site da moda. Esta manhã fiz um pequeno desvio para ir aos correios, que ficam mesmo ao lado do Liceu Francês da Holanda, para levantar uma carta que me enviaram de Portugal com papelada. 2 senhoras à minha frente, uma delas com um andarilho com aquilo que a OrangeBeachCruiser não tem: travões! Eu era o 20, e quando o 19 piscou no painel, a sair correu -ou melhor, rolou- até ao balcão onde para minha raiva e angustia usou das manetes de travão. Só para me fazer pirraça concerteza! Não seria concerteza um embate a 0,5km/hora que ia fazer mal à osteoporose da mumia! Com a carta debaixo do braço, mais outra cena surreal, que só pode acontecer neste pais pedalante. As 9 da matina, passa-me à frente um caramelo descalço, de bicicleta, e com uma prancha debaixo do braço. Não percebi se ele tava vestido de preto, ou se era o fato de neoprene, porque os olhos estavão cheios de agua por causa do frio e da deslocação de ar. Ah...e por causa dos ciumes dos travões da velha dos correios!

Depois da LaranjaElectrónica, foi dia de aula de squish-squash. Conhecemos a Elly, uma quarentona raquitica, feia como tudo, que seria a nossa professora da aula grátis. Eramos 3. Eu e o Pedro, o nosso cromo tuga do squash, e um holandês que falava forte e feio espanhol porque tinha vivido 8 anos em Madrid. Eu era o unico maçarro de serviço e fartei-me de encher. A prof podia ser raquitica e feia, mas dava-nos uma coça de olhos fechados. Bom, viemos a ver mais tarde nos flyers do squash, que tinha sido campeã americana 2 vezes, era numero 24 do ranking mundial, e treinadora da selecção holandesa. Pois, portanto imaginem o que a mulher não joga.
À saida do ginásio estavam lá outro grupo de tugas para se inscrever, e depois das formalidades (vulgo pagamento) tratadas, fomos jantar ao Mac, onde se iniciou uma longa conversa sobre calorias, gorduras, panados e afins. De seguida, fomos para o Plein - o primo do Grote Markt- em busca de um bar que teria jazz ao vivo. E assim o encontrámos. O jazz não valia um chavo, mas tivemos na converseta, e o café até era bastante aceitável.
A caminho do plein experimentei a OrangeBeachCruiser do Manel, que acabou de sair da oficina: um luxo! Não tem efeito ambulancia integrado, portanto ninguem olha para mim quando passo. Algo se passa na transmissão da minha OBC que esta não obriga nem a metade do esforço para pôr a rolar. E por fim, ele tem aquilo um palmo mais alto que a minha, o que tambem parece fazer muito mais sentido a nivel de esforço. Amanhã meto a OBC na oficina!

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Ex-Caloiro

Já não sou caloiro!
Hoje chegou cá mais uma portuguesa, pelo que deixei de ser "o mais novo elemento da equipa". Ela foi-me apresentada de raspão, no corredor, e mal percebi o nome dela. Pareceu ser algo do tipo Maria ou Marilia, mas isso também é o menos...
Benvinda, M!

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

Fds / parte2

Puro fds de outono. Meio chuva, meio sol. Den Haag ao fds tem o centro ao barrote, faça que tempo fizer. A única coisa que muda é se os chapéus e os capuzes estão em uso ou não. Ainda para mais, aqui os chapéus-de-chuva são de todas as cores. O arco-iris não está no céu, mas sim um palmo acima da cabeça. Proeza é atravessar uma das apertadas ruas comerciais sem levar com uma haste metálica no olho. E parece que ao fds as lojas são tomadas de assalto: filas para pagar no H&M, Zara e afins... As lojas de artigos electrónicos e telemóveis também não estão menos vazias,e os vendedores não têm mãos a medir.
Fds também é altura de tratar daquilo que não há tempo durante a semana: neste caso logistica pura e dura, porque o meu frigorifico não arrefece, e o aquecimento não aquece. E a porta continua a parecer a turbina do jumbo 747, mas isso não há nada a fazer pelo que me disse um vizinho. Curiosa personagem este vizinho: depois de 2 dedos de conversa, ele tinha-me dito que tinha estudado direito, mas que nunca tinha exercido porque tinha montado a sua própria agência de viagens. E lá estive meia hora à conversa com um cinquentão de cabelo branco, muito curtinho, com um brinco na orelha. Curiosa personagem, pelo comum padrão português.
Na sexta cheguei a casa, e só faltou vestir o fato de macaco: o desafio era perceber como pôr a caldeira do aquecimento a fungar. Uma hora de torneiras e botões depois, aquilo começou a fazer barulho. Afinal, sêmos ingenhêros! Aquilo fez um chiqueiral a noite toda, e de manhã até teve de se desligar porque eu acordei ensopado em suor.À noite é que foram elas: voltar a pegar o bicho? Nem pensar. Desta vez calou-se, para não mais voltar a piar. Pior! Desta vez a caldeira mostrava um código de erro, e as águas sanitárias também tinham ido à viola. Banhinho frio que faz bem à saúde. Mas aqui água fria é mesmo de arrepiar.
Sábado à tarde tinha um jogo de squish-squash combinado com o cromo de serviço, e foi com todo o prazer que voltei a ser desancado à grande e à francesa. Mas afinal, essa é a ideia da coisa. A bola que tinhamos usado até agora tinha dado o berro,portanto usámos uma nova, que salta um booooooooooooocadinho mais, e que portanto não nos faz correr tanto. Neste caso, só sai de lá com a t-shirt a pingar, em vez de ser t-shirt-calcoes-e-meias. No fim do jogo, uma première para mim: tomar banho num ginásio. Sim, eu raramente tomo banho nos sitios onde faço desporto,pelo menos desde os tempos em fazia natação. Sempre preferi trocar de roupa e vir tomar banho a casa. Desta vez, teve de ser... ginásio. Ao fds o ginásio fecha às 17h, e portanto fui dos últimos a sair de lá. Uma das vantagens foi que consegui secar o cabelo em stereo, ou seja, com 2 secadores ao mesmo tempo. Bom, os secadores podiam uma treta, mas a verdade é q o cabelo secou num instante!
Fresco que nem uma alface, foi tempo de ir ter com mais pessoal ao centro para o capuccino de fim-de-tarde. Numa brasserie, descobrimos que o staff era todo portuga. O dono veio tagarelar connosco, e disse-nos que já lá estava há vinte anos, que tinha outro restaurante -italiano- ali perto. Também falou da zona, que a praia era gira e até era fixe no verão, que os marroquinos é que davam água pela barba nesta zona, e até me deu umas dicas sobre o spot onde arranjar uma scooter. Entretanto, viamos passar umas coisas comestiveis que me ficaram debaixo de olho. Mais perto da hora de fechar houve um corropio de loiras que vieram dizer adeus ao dono.... Ele fez questão de referir que eram as vendedoras das lojas em volta que se vinham despedir. Lá simpáticas eram elas. Uma das loiras entrou e ficou. Ai ele parou a conversa e apresentou "a mulher e sócia". Uma loiraça que me pareceu uma excelente razão para esta aqui a gramar chuva e frio há vinte anos...
O plano para jantar era conhecido como Operação IKEA: um restaurante escandinavo, que aparecia no meu guia da naite aqui da zona, o SpeciaBite, chamado Eyja. A caminho da dita morada, vejo que as lojas chiques começam a dar lugar a coffeshops, e um número crescente de turcos e aparentados a cruzarem-se connosco. Toda a gente diz mal do meu GPS, mas a realidade é que sem o dito bicharoco ainda hoje távamos à procura daquilo. No caminho, reparo que estamos a escassos metros de umas das Red Zones de Haia. Mas à ultima da hora virámos, e afastámo-nos da zona critica. Zona Vermelha, não...era mais zona cor-de-laranha. E eis que chegámos ao dito restaurante sugerido. Um espaço decorado todo de branco, com o staff todo de preto, cheio de velas, como nos catalogos da marca de móveis sueca. A comida, de nome pomposo, era servida ao mais puro estilo nórdico, cheia de molho de natas, e compota de mirtilos, como as famosas almondegas do Ikea. Para comida nórdica não estava nada mal, mas o meu "pork sirloin stuffed with ...." não passava de carne assada com passas no meio e 3 tipos de molhos em volta. Não sei se era da fome, mas evaporou tudo -a quantidade também era nórdica, note-se - e ainda por cima soube bem.
As sobremesas foram um mix de tudo um pouco,e as panquecas islandesas (que o restaurante faz questão de frisar que não pertence à Escandinávia) ficaram debaixo de olho para mais tarde recordar.
Next stop: TABOO. Ao lado da Fair Trade Shop, descobri um bar no qual nunca me aventuraria sozinho. Vi aquilo durante a semana, meio vazio, com luzes roxas e cheio de cortinas... Num sitio destes, isto significa que por muito que seja a música, um gajo decente e de boas familias não entra sem guarda-costas! Desta vez, e com gente na rua que nunca mais acabava, lá fomos descobrir o spot. No piso terreo, há mesas comuns e um balcão corrido; subindo uma escada em caracol acede-se a uma galeria de camas iluminadas por focos de halogéneo. O tipo que nos atendeu era americano, ou muito perto disso, e devia ter dado nas anfetaminas, porque estava com o gás todo. Como este percebia do que estava a fazer, pedi-lhe uma coisa fresca, sem alcool, e que não fosse refrigerante de lata. Ele teve de puxar pela moleirinha, mas lá me arranjou uma especie de capuccino gelado com leite chocolatado e chantilly. De facto, estes tipos dominam em matéria de produtos lacteos. Não percebem um carapau de café, mas leite é com eles! Claro que beber um balde disto esparramado numa cama e a ler o monte de flyers que circula por aqui tinha de dar asneira: tomei banho de capuccino, pelo que fiquei tipo vaca charolesa, às manchas castanhas e brancas.
Domingo foi dia de moleza, e foi passear para trás e para a frente, badalhoco porque não havia água para o banho. Embora a chover a potes, o calçadão da praia estava cheio de gente, e foi dia de panquecas. À entrada, estava uma equipa de rugby, que devia ser mista, porque havia tantos rapazes como raparigas, e tanto eles como elas pareciam tanque de guerra. Como seria de esperar -e ao contrário do que o comum dos mortais pensa- os jogadores de rugby não são excepcionalmente altos,e este não fugiam à regra. Para holandeses, eram bem medianos. E nem tinham de passar de lado nas portas. A casa das panquecas continua no seu melhor, com dezenas de panquecas (ok,ok, na realidade são crepes à francesa) por onde escolher; pormenor engraçado, nas panquecas de sobremesa, raras são as que têm chocolate derretido, enquanto que as frutas frescas estão em quase todas as hipoteses. Mas isto de comer morangos em pleno Outubro, enquanto chove na praia tem algo que se lhe diga, pelo menos para o Portuga convencional.
Hoje é dia de ir cedo para a cama... que amanhã vou fazer o impensável: acordar extra-cedo, e ir ao ginásio. não só fazer um cadinho de remo, como tomar banho e fazer a barba para aparecer impec na LaranjaElectrónica!

Um mês de Holanda

Faz hoje um mês, metia a minha trouxa às costas, e punha-me a caminho dos Paises-Baixos, e da LaranjaElectrónica, deixando para trás Sol e Praia.
Curioso, hoje que penso nisso, ainda não percebi se acabei de chegar, se já cá estou há imenso tempo!

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

Mozzarella Party!



Ontem foi dia de festa! Uma das italianas de serviço resolveu rebelar-se contra a falta de qualidade do queijo mozzarella aqui na Holanda, e decidiu trazê-lo da origem. E convidou a malta. Ao mais puro estilo Erasmus, juntou-se tudo numa casa cagagésimal, com a música a bombar por um portátil ranhoso, e com montes de alcool à mistura. Curiosamente, só responderam à chamada italianos e portugueses. Embora outras raças estivessem também convidados.
Bom, para ser sincero, um francês meio perdido apareceu mais para o final da festa, envergando uns calções de desporto, às 11 da noite. Que estranho... da última vez que ia regularmente a estas concentrações, eu era o único portuga, e havia um monte de italianos, espanhóis e franceses. Ou seja, era eu o Alien. Ao menos, eu não ia para as festas de calções.
O pessoal abancado ao monte nos sofás e no chão, a fumar e a beber, uns a tentar dançar, outros a alarvar o mozzarella que dava para um batalhão. A música foi salsa e brasileira a noite toda, pq a anfitriã vibra com este estilo, e serve sempre para animar a festa. Quando cheguei, na Orange Beach Cruiser acabada de equipar com o suporte do GPS vindo de Portugal, trazia numa mão uma garrafinha de Casa de Santar 2003, e na outra um queijo Castelões, para mostrar a este pessoal o que é o power do queijo português; para quem não sabe o Castelões tem a caracteristica curiosa de ser um queijo de mistura, metade vaca, metade cabra, o que o torna bastante especial. Sem ser amanteigado é muito aveludado, e sobretudo, dá-se bem com os tintos. Um valor seguro da industria queijal portuguesa!


Quando me aproximei da mesa, levei da anfitriã uma ensaboadela de queijos italianos: afinal, em matéria de mozzarellas, há muito para dizer. Mais compactos, mais moles, mozzarella seco, recheado com manteiga (eu sei que parece estranho mas era omelhor que lá tava), em bola, em fatias. De lado, tavam uns pratinhos com tomate cortado fininho, e um chourico também fatiado. Na minha mozza-ignorância, virei-me pra Maria e perguntei: "Isto é de buffalo, né?



-MÀ NÓ!!!" levei logo na resposta. Parece que o chavão que o verdadeiro mozzarella é de bufala é tudo treta. Vaquinha é que é. O resto é para inglês ver. Bom, mas como diria o outro...."Marco Bellini é qè sabè!" E afinal, eu só tinha vindo ver a bola e nem era de cá!
Da próxima vez que vir um queijo mozzarella a rebolar rua fora, dou-lhe um beliscão; se ele não fizer "Muuuuuuuuuuuuuuuu", já sei, é uma reles imitação!

Mas ou o pessoal tá a ficar velho, ou então o mozzarella tira um bocado a energia às pessoas... À meia-noite já estava o pessoal todo a desertar, excepto o francês esfomeado que continuava a dar forte e feio no queijo e no tinto.

terça-feira, 17 de outubro de 2006

Squish-squash

Ontem houve jogo de squash. Eu, o Miguel e o Pedro tinhamos marcado a nossa aula grátis no ginásio, que ganhamos na inscrição. Assim que chegámos, levámos a banhada porque tinha falecido alguém próximo da professora. Isto corta logo a onda toda; nem dá para dizer mal, nem rogar pragas à pessoa que nos fez atravessar a cidade para ficar especados a olhar para a recepcionista. Como bons tugas, agarrámos nas raquetes, e fomos na mesma para o court, que afinal, estava reservado. O Pedro joga squash pa caneco, e portanto eu o e Miguel fomos squashados. Não sabia que a bola tinha de aquecer, e que sé depois de umas valentes raquetadas é que começa a ganhar as caracteristicas necessárias. Mesmo depois de aquecida, a bola não salta. Lá estamos nós todos cheios de energia, vemos a bola a vir na nossa direcção, puxamos a culatra atrás e tentamos encher o pé –neste caso, a mão-… e vemos a bola a desfalecer no chão como se fosse um bocado de plasticina. Frustração. Quando finalmente apanhamos a bola a jeito, e despejamos toda a raiva no esferico preto, o desafio é não esbarrar com os dentes na parede. Sim, porque vamos a correr na direcção da bola, e ninguém nos avisa que temos uma barreira de betão a 30 centimetros da cara quando acertamos na bola, e tamos a correr a todo o gás. Um gajo pensa: “Yeessssss! Ganda passa que dei na bola! O outro gajo nem a vai ver passar!” e depois, a próxima coisa que se lembra é de abrir os olhos e ver as luzes do tecto à nossa frente, com o resto dos colegas a dar sapas nas bochechas, porque entretanto tivemos um encontro imediato do terceiro grau com a parede. Evento seguinte: contar o número de dentes à saida do court para saber se é igual ao que entrou. Depois ainda chamam a isto um jogo, dizem que o desporto dá saúde, etc…Pior: ainda por cima PAGAMOS para cá andar.
Como o Pedro é insistente, e isto supostamente faz bem a alguma coisa (porque como se viu pela figura anexa, à saúde não é concerteza), já está outra sessão combinada para Quinta-feira. Para além dos 3 estarolas, ainda vem um holandês - não-rastejante – jogar com a malta: assim estão sempre 2 jogos a decorrer em simultâneo. Espancamento continuo, está de ver, porque o holandês que vem aí também é jogador habitual, pelo que muito provavelmente eu o Miguel vamos fazer de bombos da festa. Mas eu tenciono vender cara a minha pele! Não quero perder nenhum jogo por mais de 10 pontos de diferença!

Estou chocado...

Drama, tragédia, horror!.... Hoje cheguei à LaranjaElectrónica e -aparte o Porsche Cayenne, o BMW M3 e o Continental GT- não aconteceu nada de especial! Estou em depressão!!

Para além disso, aqui faz um sol radioso, e em Lisboa chove a potes. No entanto, algo me diz que não tarda, a situação muda...

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

Começo de semana em grande

Primeiro regresso operacional à Holanda: apanhar o vôo das 7h45 da TAP. Aterrar em Amsterdão Às 11h, e ir directo para a LaranjaElectrónica. Yeah, right. Para além de ter de me levantar super-cedo, e acartar com um malão do tipo caixão, tava a chover a potes. Check-in, aventura 1: embora tenha chegado a horas, a fila do check-in era de meio-kilometro. Fui repescado por um caramelo de walkie-talkie na mão, e despachado para uma menina que teve de ligar para o supervisor para reabrir o vôo e conseguir registar a minha mala. Depois, na porta de embarque descobri que o vôo ia atrasar. Grande sorte a minha, em vez de embarcarmos por manga, fomos de autocarro. Mais valia ter ido de piroga, que ia dar o mesmo resultado. Até o autocarro era uma miniatura, e iamos todos lá dentro apinhados. Já dentro do avião, percebi que aquilo ia ser uma sessão intensiva de dar ao serrote. Como não me é dificil adormecer, ainda não tinhamos descolado, e já estava em plena actividade roncante. Mas concerteza que era eu e mais metade do avião, porque quando as meninas começaram a distribuir a paparoca, tava tudo a bocejar e a espreguiçar-se. Agora a TAP varre o pessoal todo a sandes, portanto aquilo evapora em 30 segundos. De seguida, nova sessão de serrote. Aterrámos em Schiphol ao meio-dia, uma hora depois do esperado. Lá fui eu para a recepção das malas. Check-out, aventura 2. Tava eu a aproximar-me do tapete rolante que me tinha calado na rifa e estava a ver uma mala toda desfeita. Quando me aproximei, claro, tinha de ser a minha. A mala tinha rebentado pelo fecho-éclair. Por sorte, tava ensopada, mas não parecia que tivesse saltado nada cá para fora. Lá vou eu buscar um carrinho, coloco o destroço em cima dele, e toca de ir à procura do balcão das reclamações…que fica do outro lado do terminal. Amena conversa em inglês com a menina do parceiro do handling da TAP, que fez questão de vir o destroço pessoalmente. Depois, deu-me um papelinho com um número, que dizia que “SIM, ESTÁ CONFIRMADO QUE A SUA MALA RIBENTOU E FICOU FEITA NUM MOLHO DE BRÓCULOS”, e disse para eu escrever uma carta quando chegasse a pt. Grande ajuda. Eu –estúpido- ainda perguntei onde é que podia comprar um rolo de fita-cola para fazer de McGyver. Ela respondeu tipo brasileira: “ai…não sei…”. Vim cá fora, e toca a começar a aula de bricolage: arranjo um canto sossegado do terminal de desembarque, e ponho-me aos saltos em cima da Samsonite azul, até ela recuperar a forma e o volume habitual. Com a dita cuja em formato aceitável, toca de repôr centimetro a centimetro, o fecho-eclair. Ainda por cima, tinha cortado as unhas no dia anterior, e portanto, a tarefa não foi nada fácil. Mas o Poder do Engenheiro é tremendo, e meia-hora e um litro de suor depois, a mala estava de novo fechada, pronta para ir até Haia, sem deixar pelo caminho os meus boxers.
E recomeça a guerra: apanhar o comboio. Com o stress todo, arranjei uma combinação de combóios e patamares errados, que cheguei lá na altura certa, através de 3 combóios diferentes. A pingar suor obviamente. Num dos 3 combóios, havia uma menina com botas de licra e saltos altos, com uma bicicleta dobrável do tamanho de uma garrafão de 5 litros. A minha tralha ao lado daquilo fez-me parecer um caracol em mudanças. Ela desceu na mesma estação que eu, e o garrafão deu lugar a um bicicleta de tamanho normal, ainda não percebi muito bem como. Mas vou investigar. Já em Haia, foi apanhar o tram até à Laranja electrónica. E só nessa altura reparei que ao contrário de Portugal, aqui tava um sol radioso, e um lindo dia de outono.

Chegada à LaranjaElectrónica

Obviamente, não pode haver uma chegada normal à Orange. Simplesmente não acontece. E hoje não foi excepção. Eu pensava que seria hoje muito mais pacifico, porque não só não ia chegar em hora de ponta, como ainda por cima o stress não me iria deixar ver nada de anormal, nem que na famosa passadeira me cruzasse com um elefante cor-de-rosa, a caminho de um disco voador. Burro…quem é que me manda pensar? Já devia saber que não se pode menosprezar o poder educativo daquela passadeira de peões. Quando ia a atravessar, vejo o impossível: o alegre proprietário de um Porsche 911 (vulgo Carrera) descapotável, embasbacado a olhar para o carro que estava ao lado. Heresia, toda a gente sabe que quem tem um carro daqueles é o alvo de todos mirones das redondezas, o rei do asfalto daquele quarteirão. Pois, este teve azar. Ao lado, parou um Mustang americano, cujo tamanho fazia o Porsche parecer um Citroën 2CV. Pode ser um charuto, mas não há duvida que o carro é imponente. E dono do Porsche, com o pescoço todo torto –concerteza pelo peso do meão que tinha levado- a olhar de lado. Depois do evento da passadeira do dia, lá cheguei à LaranjaElectrónica, a pingar suor, às 13h45, e a caminho de ter uma reunião com um caramelo chamado Rakesh às 14h. Almoço? Esquece lá isso…

domingo, 15 de outubro de 2006

Regresso a PT

Sexta-feira, dia de voltar a pt para o fds. Objectivo: 2 aniversários. Agenda cheia portanto. Assim como a mochila, que vinha a abarrotar de roupa para lavar. Ainda por cima sai-se da LaranjaElectrónica e vai-se directamente para o aeroporto, portanto vai-se logo com a mala para a cidade. No caminho do aeroporto, encontrei a anterior dona do meu apartamento, e minha colega na Orange, a italiana Laura Rota. E -antes que perguntem- sim, este é mesmo o nome dela. E não, "Rota" não tem qualquer significado especial em italiano. Como o avião aterrava à hora que eu devia estar no jantar, pedi a um amigo meu para me levar o carro até ao aeroporto. Portanto, foi abrir a porta do avião, sair disparado pelo hall das bagagens, e entrar no carro que seguiu a rasgar até Nafarros, onde se festejaram os 11 anos do meu antigo ginásio, o AssaforaGym. Com os sensores ainda calibrados em modo NL, pareciam todos anões, incluindo o dono, o Rino, que tem 1,93m e 100 e tal kilos... Picanha a rodos, regados com litros de sangria, e como sobremesa um slideshow dos melhores momentos do ginásio. Depois, lá fomos arejar as ideias para os bares ali da zona da praia de S. Julião.
No dia a seguir foi dia de emigrante: cortar o cabelo, fazer compras etc... Mais festa à noite: desta vez foi o aniversário da Nina, e do seu Factor T. A paparoca foi na Casa de Goa, spot muito fixe, não fosse preciso um mapa militar para dar com aquilo. Como estive em Goa no principio deste ano, deu para relembrar algumas coisas, tipo o baji-puri e o balchão, e armar-me ao cágado como quem percebe de comida indiana a potes, e fazer de guia turistico aos comensais que foram chegando ao longo de 2 horas... A noite acabou nas Docas, onde uma fauna estranha, oriunda da festa do caloiro do Tecnico se misturava com os motards que vieram para o motoGP. O pessoal acabou todo na galhofa no Café da Ponte, numa morna noite de Outono.

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

Dia de compras & Dia de copos

Quinta-feira, dia de encher a casa. Como neste fds ia a casa, aproveitei para comprar tralhas que não há lá por pt. Estive no centro a vaguear pelas lojas e drogarias, supermercado e lojas de telemoveis. Numa Phone House, comecei a falar com um empregado por causa de um modelo de telemóvel novo que eles lá tinham. Ainda não tinham passado 30 segundos, já me estava a dizer onde desbloquear os telemóveis: numa lojinha ao pé de HollandSpoor, a estação de comboio. Pelos vistos, tudo aqui revolve em volta de HollandSpoor. Tá visto que na próxima semana, lá vou eu experimentar os Lellos da Purificação do desbloqueio de telemóveis.
Continuando nas voltinhas, entrei numa loja de acessórios de carros e bicicletas. Caneco! Nunca tinha visto tanto acessório de bicicleta junto! Cadeiras, cadeados, capas, guarda-lamas,reflectores... Acessorios para carros? 2 ou 3, perdido aqui e ali. E nada mais digno de nota que uns GPS acabados de sair. O mais giro disto tudo é que as bicicletas, pelo menos para o tuga comum, não passam de umas pasteleiras a cair de podres, altas como girafas. Fiquei de tal maneira estupefacto, que me esqueci de comprar uma campainha nova para a Orange Beach Cruiser. Portanto, continuo mudo.
A caminho do centro, parou um carro junto ao passeio, com um casal lá dentro. Ela meteu a cabeça de fora, e pediu indicações, em inglês: "Olhe, desculpe, onde que fica o Spui?" O Spui é uma zona junto ao centro, que tem um teatro e uma zona cultural, perto do sitio da aventura do restaurante chinês. Eu, o já-cromo-de-Haia-com-GPS, respondi nas calmas:"Ah...isso é já ali à frente e à esquerda! Continue nesta rua, não tem que enganar!"
-Muito obrigado... -disse ela.- E já agora, ondé que são as putas?" Eu devo ter ficado vermelho,roxo, às pintinhas azul-esverdeadas, às riscas... Não me desmanchei, tanto quanto possivel a uma senhora da 3ª idade durante um afrontamento, e lá disse que isso era prá esquerda, mais perto do rio. E que em frente havia uma casa de livros de quadradinhos, como ponto de referência. Ela lá agradeceu de novo, e arrancaram. Quando se afastaram, reparei que a matricula do carro era belga. Já o Obélix dizia, e pelos vistos com razão: "Estes belgas são loucos!" E lá fiquei com calor durante as 3 horas seguintes. Cair da noite em Haia e eu a passear alegremente de T-shirt a ver montras.
Antes de apanhar o tram para casa, passei pelo Alfred Heijns para encher a despensa. Trouxe água -com POUCO gás- 3 ou 4 tipos diferentes de bolachas, e leite. Sim, leite e não pudim, que desta vez não trouxe o pacote que dizia "vla" e sim o que dizia "melk", e tive o cuidado de chocalhar para ver se o barulho batia certo com o conteudo. De facto, isto é o pais dos bolos e biscoitos. Qualquer supermercado de esquina tem 30 tipos diferentes de bolos e biscoitos...frescos. Mais as tralhas tradicionais bugigangas da Dan Cake e respectivos bollycaos. Que aqui ninguem toca, a menos que tenha 4 anos, e queira o autocolante que lá vem dentro.
Enchi a mochila com as compras, fiquei tipo caracol marreco, e fui largar a tralha a casa.
Assim que cheguei, recebi uma mensagem dos outros tugas a dizer que estavam no Grote Mart. Troquei de t-shirt, que a outra tava ensopada, por causa dos afrontamentos e das compras, e lá voltei eu para a cidade. Dia de esplanada, porque não estava a chover. Um dos Tugas pôs-se a oferecer cervejas ao bêbado-louco-desdentado de serviço do Grote Mart, que se pôs a venerá-lo como o Dalai Lama. Na direcção inversa, comecaram a passar raparigas invulgarmente bem arranjadas para a zona. Mais 3 ou 4 rodadas depois, já os tugas estavam alegres como o bêbado. A diferença estava nos dentes. Meia-noite, hora do recolher obrigatório. A Ana Chucha (Sim, é mesmo o nome dela) decidiu regressar à base, e os rapazes decidiram investigar o spot que estava a recolher faz 2 horas a maior colecção de saltos altos que eu vi nas ultimas 2 semanas. À entrada, entrou o Manel, sem espiga, e barraram um dos nossos elementos, mesmo à minha frente, porque ele tinha mochila. Perguntaram se estavamos todos juntos, pediram para ver o conteudo da mochila, e depois o segurança virou-se para mim e perguntou "ele tá bêbado?" Esta terra é mesmo uma caixinha de surpresas. E depois lá entrámos todos.
Lá dentro, estavam concentrados os 5 continentes. Se entrar aqui a Odete Santos de braço dado com o Paulo Pires ninguem nota. Se entrar o Antonio (mesmo) Feio com a Merche Romero, também não passa de um banal casal. Blacks-do-ghetto, misturados com Claudias Schiffer, é o prato do dia. Em todas as variaçoes possiveis. Vi Indianos, sul-americanos, asiaticos, africanos... A musica ia dos vulgares de hiphop a alguma música de dança mais interessante. Calor e fumo, qb. E eu já me tinha refeito do susto/afrontamento, mas em meia hora tinha a tshirt de novo ensopada. Tava eu com os outros tugas no meio da pista, agarrados aos copos -de agua, no meu caso- quando algo fofo passa pelos meus ombros. Olho pelo canto do olho, e vejo um decote! Ora bem, se eu tenho 1,83m, imaginem o que é um par de mamas ao nível dos meus ombros. Claro que a 40 cms de toda esta cena estava um casal de indianas com pilhas duracell, que dancaram toda a noite, embora nao tivessem mais que metro-e-meio.
Ao contrário de Portugal, sejam bonitas ou feias, as raparigas são altamente abordáveis, não havendo até agora sinais de narizes empinados. Um dos nossos elementos acercou-se de uma jovem bem apessoada (de ladrar, portanto), perguntou-lhe o nome, e pelos padrões portugueses estava tudo a correr sobre rodinhas. A meio da conversa sai a frase: "mas olha, eu não tou interessada em ti..." Ok, enfia a viola no saco, beijinhos e abraços até à próxima. "Sans haine, sans violence et sans armes". Há umas quantas miúdas em Portugal que valem um terço do que estas valem, que podiam vir cá fazer um estágio e aprender umas coisas. Sobretudo, como ser socialmente agradáveis e bem educadas. Estava a apreciar o zoo, quando à minha frente passa um copo meio amarelo, meio vermelho. Por reflexo, virei-me para a miúda que o trazia na mão, toquei-lhei no ombro e perguntei, directo: "olha, o que estás a beber? Safari." respondeu ela, nas calmas. Okm nada de assim tão incomum. Aquilo fazia era um efeito giro no copo. Quando começo a olhar para a miúda, apercebo-me de facto do avião que era, meio chinesa, e pronto... começou o modo Taborda-no-seu-melhor, à beira de outro afrontamento. Provavelmente, fiquei com a expressão corporal do menino tonecas, e devo ter começado a gaguejar para dentro. Excusado será dizer que a conversa ficou por ali, e a miúda e o seu safari continuaram o seu caminho.
Por volta das 3 da matina, decidimos bater em retirada. Toda a gente trouxe as biclas, e eu tinha vindo de tram, portanto, fui apanhar o NachtBus. Encontrar a paragem foi uma tourada, porque não estava assinalada. Quando encontrei, porque o dito autocarro chegou, saiu de lá o motorista, empurrou me para fora do veiculo, e disse alguma coisa em holandês. Quando eu perguntei em inglês, ele disse alguma coisa em holandês tipo "Não falas holandês? Azar!" Deve ter aprendido a trabalhar na carris, este simpático! E pronto, lá fiquei eu vinte minutos à espera. Quando ele voltou, eu entrei, e tentei comprar o bilhete de 3 euros com uma nota de 50. Ele vociferou que não tinha troco e mandou-me à praça de taxis trocar a nota. Lá fui eu. Ao 7º táxi, láapanhei um mais simpático, que me trocou a nota. Quando me viro, o $#%#$%# do motorista da carris tinha arrancado sem mim. E lá ficou o belo do portuga apeado.
Lá tive eu de apanhar o táxi. Conversa puxa conversa, e afinal este táxista era o dono de uma companhia de táxis, e deu-me o contacto pessoal dele, e disse que me fazia um preço porreiro para ir directamento ao aeroporto quando fosse preciso. Basicamente, metade do que eu já tinha pago anteriormente.
Afinal, a noite não foi perdida...

A Ana fez um ano de Holanda

Na terça feira passada, a Ana fez 1 ano de Holanda. Fomos  todos jantar fora para comemorar a efeméride. Ainda não tinhamos saído da Laranja Electrónica, e já o granel tinha começado: apetecia-lhe experimentar comida surinamesa, e tinham-lhe recomendado um restaurante ao pé da estação HollandSpoor, chamado LungFung. Fomos à procura na net, e demos com a página do dito LungFung. Só que não ficava perto da dita estação, mas sim do Grote Mart, o sitio da mega-esplanada, segundo o mapa do GPS. Confiando na tecnologia, lá fomos todos para o Grote Mart, e de facto, demos com o LungFung. À entrada do restaurante estava um neon que dizia “LUNGFUNG – CHINESE AND SURINAMESE FOOD”. Pronto, era ali, sem dúvida. Mas depressa uma dúvida se colocava: sendo o Suriname outro nome para a antiga Guiana Holandesa, um pais a norte do Brasil, o que é que isto tinha a ver com a China? Afinal, afinal, são apenas 2 continentes em lados opostos do globo. A fome apertava, e decidimos entrar sem demoras. Lá dentro, o staff era todo chinês, e falavam chinês entre elas. Sul-americano? Só se tivesse uma garrafa de guaraná no frigorifico.
A minha sorte proverbial continua a dar sinais, e toda a gente apanhou um menu em inglês excepto eu, que levei com a versão holandesa. Podia ter sido pior, e ter levado com a versão original… Em relação aos pratos, foram escolhidos meio ao acaso. Havia lá um mix de carnes que nos pareceu interessante. Encomendámos o arroz e a massa frita tipica dos chineses para acompanhar. Um rebelde pediu uma coisa mais estranha, que afinal não passava de outro nome mais exotico para os tais molhos de bróculos enfeitados de strogonoff de galinha, a boiar em baba de alien chinês. Mas o mix de carnes foi o jackpot! Uma das carnes era literalmente o belo do chouriço português, que evaporou num abrir e fechar de olhos. Curiosamente, o frango foi a última das carnes do mix a acabar. Geralmente o frango é o valor seguro.
Depois do jantar, voltámos ao Grote Mart, ao já tradicional bar ‘De Zwarte Ruider’, o tal Cavaleiro Negro. Como hoje não estava à pinha, arranjámos uma mesa redonda com facilidade. A Ana fez questão de pagar a primeira rodada, cerveja para todos, e coca-cola para mim e para a Silvia, os dissidentes não-alcoólicos de serviço. Claro que ninguém arredou pé enquanto cada um de nós não pagou uma rodada ao pessoal. A conversa animada, e bem regada, demorou 30 segundos a descambar para o sexo, e foi o tema forte da noite. Pensando bem, costuma ser sempre o tema forte de qualquer conversa de Portugueses. Conversa de gajos? Esqueçam lá isso…. que elas são piores que eles. Afinal, quem ficou mais vezes corado foram os rapazes. Mas pronto, juntem 8 portugueses e algumas cervejas que dá sempre nisto…
À meia-noite, transformá-mo-nos todos em abóboras, e lá nos arrastámos para casa, que no dia seguinte, era dia de picar o boi.